O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou nesta 6ª feira (23.out.2026) a presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, na plateia do debate da TV Globo e questionou o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua atuação na defesa do policial militar acusado de matar a menina de 5 anos, em 2021.
Cristiane acompanhava o debate na 1ª fila, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da primeira-dama Janja. Ela foi convidada pela campanha de Lula para assistir ao último encontro entre os candidatos antes do 2º turno, marcado para domingo (25.out.2026).
“Ela está assistindo. Certamente, ela está vendo a sua fisionomia falando de segurança pública”, disse Lula ao adversário.
A declaração foi feita durante uma discussão sobre segurança pública, no bloco dedicado à retomada de territórios. Flávio havia questionado Lula sobre a saída temporária de presos, a redução da maioridade penal e a classificação de organizações criminosas como terroristas.
Em resposta, o petista mencionou a morte de Ana Clara e a participação do senador na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. “Por que um senador da República evita que um policial assassino, que era para ser julgado agora dia 21, não fosse julgado?”, perguntou Lula.
O presidente também questionou a política de segurança pública defendida pelo candidato do PL. “Que segurança é essa? Que território é esse? O território da bala?”, declarou.
O QUE DISSE FLÁVIO Flávio manifestou solidariedade à família de Ana Clara e afirmou acreditar na inocência do policial.
“Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade”, disse.
O senador afirmou que a morte ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade com presença do tráfico de drogas. Também destacou que o policial ainda não havia sido julgado.
“Eu tenho a confiança que não foi esse policial”, declarou. A versão apresentada por Flávio é contestada pelo Ministério Público, que responsabiliza o agente pelo disparo que atingiu a criança.
Na sequência, o candidato voltou a defender o endurecimento das penas para crimes violentos e a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital), do Comando Vermelho e das milícias como organizações narcoterroristas. ENTENDA O CASO
Ana Clara Gomes Machado morreu em 2 de fevereiro de 2021, depois de ser atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava com o irmão, então com 2 anos, na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). Segundo denúncia do MPRJ, o disparo partiu da arma do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de homicídio.
A defesa contesta a acusação e sustenta que o agente reagiu a tiros durante uma operação policial. Flávio integrou a defesa do PM.
Em 2024, quando já era senador, assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento de Delaroli pelo Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado.
O julgamento estava previsto para 21 de outubro de 2026, mas foi adiado para 5 de maio de 2027. O policial responde ao processo em liberdade.
Cristiane Gomes da Silva tem pedido a realização do julgamento. Em manifestação realizada em Niterói na 4ª feira (21.out), a mãe de Ana Clara afirmou que espera uma decisão da Justiça sobre a morte da filha.
O caso já havia sido mencionado por Lula no debate da Band, realizado em 18 de outubro. Na ocasião, o presidente questionou Flávio sobre sua atuação como advogado do policial.
O senador respondeu que o exercício da advocacia não poderia ser criminalizado e afirmou que o acusado ainda não havia sido julgado. A discussão voltou ao debate da Globo nesta 6ª feira (23.out), desta vez com a presença de Cristiane na plateia.
CAMPANHA A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também mencionou o caso dias antes do 1º turno das eleições durante uma propaganda eleitoral.
A equipe de Lula preparou uma peça que associa o candidato do PL à Presidência ao caso “Flávio Bolsonaro foi um dos advogados na defesa do policial, o assassino de Ana Clara. Uma garota de 5 anos.
Você acha que quem defende um assassino de criança vai te defender?”, diz um trecho.
Poder 360