'O Brasil não aguenta mais' x risco à soberania: bolsonaristas e esquerda repercutem rótulo de CV e PCC como terroristas nos EUA

 

Fonte: Bandeira



Parlamentaristas bolsonaristas comemoram a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas e atribuíram o crédito do anúncio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu nesta semana com o presidente Donald Trump e integrantes da Casa Branca. Já entre integrantes da esquerda, a medida foi criticada e classificada como uma tentativa de interferência na soberania nacional.

Pelas redes sociais, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, disse que o aliado "foi mais efetivo numa viagem ridicularizada e subestimada do que Lula, que, em 3 anos e meio de governo, relativizou o crime e tratou bandido como vítima". "O Brasil não aguenta mais viver refém de facções narcoterroristas que dominam territórios, aterrorizam famílias e desafiam o Estado". Na mesma publicação, Marinho disse que "o reconhecimento dos EUA mostra que, diferentemente do PT e da esquerda, nós estamos ao lado do povo brasileiro".

Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que acompanhou Flávio nas agendas em Washington nesta semana, publicou uma foto da bandeira dos EUA estendida em uma manifestação na Avenida Paulista no início deste ano. "Muito obrigado, Sr. Secretário", escreveu em um post em inglês que marcou Rubio. Eduardo repetiu os agradecimentos em um vídeo também publicado nas redes sociais, no qual afirmou que "em 2027, o presidente Flávio Bolsonaro vai poder fazer muito mais pela segurança pública". O senador, por sua vez, publicou um vídeo sobre o tema com críticas diretas à gestão Lula e tentou neutralizar o discurso do governo sobre a defesa da soberania nacional.

— Em uma viagem como pré-candidato como pré-candidato, nós fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiroas do que o PT e o Lula em seus 17 anos de mandato. Enquanto o Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favoir do CV e do PCC, eu fui trabalhar para que eles fossem tratados como terroristas, que é o que eles são. Um em cada quatro brasileiros moram em territórios controlados por esses narcoterristas, ou seja, não possuem soberania dentro das suas próprias casas — disse Flávio.

Lula também foi criticado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que se referiu ao presidente como "descondenado" e disse que ele foi aos EUA "barganhar para não classificar essas facções como terroristas, colocando na mesas as terras raras, tentando defender os seus aliados". Também pelo X, o deputado federal Nikolas Ferreira disse que o anúncio como um "golaço" de Flávio. "O maior medo de Lula aconteceu", afirmou o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) em um publicação no X. Já Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) afimou que a medida é uma "vitória" do irmão e do país.

Do lado da esquerda, já o vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), disse que a medida "terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros, e é um ataque brutal à nossa soberania".

O mesmo argumento foi usado pelo deputado federal Bohn Gass (PT-RS) disse que "declarar que PCC e Comando Vermelho são terroristas, como dizem que Trump quer fazer, pode criar espaço perigoso para os EUA interferirem na nossa soberania". O parlamentar afirmou, no entanto, que "quem deve se preocupar mesmo são os bolsonaristas, porque a cada dia se descobrem mais ligações deles com essas facções".

O deputado federal Ivan Valente (PL-SP) classificou que o anúncio da decisão americana é "uma enorme farsa já feita em outros países, em que os EUA buscam motivos para justificar intervenções". "É resultado direto da ação traidora e irresponsável da família Bolsonaro", acrescentou.

(Matéria em atualização)