O Brasil continua a amarrar o seu destino a Lula

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Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

Flávio Bolsonaro disse que não reconhece a eleição de Lula e que vai pedir a anulação do pleito. O chefão petista venceu por um diferença de 4,5 milhões de votos, que certamente não foram ganhos por causa da decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender a votação por duas horas.

Os 10 milhões e 300 mil votos que Lula teve a mais no segundo turno são fruto dos R$ 300 bilhões em medidas eleitoreiras que ele pendurou na conta dos pagadores de impostos e da campanha do medo mais nojenta de todos os tempos, que foi exitosa ao diminuir a taxa de abstenção, a menor em 16 anos, e também a de votos brancos e nulos.

Os eleitores de outros candidatos da direita, no primeiro turno, também não migraram em massa para Flávio Bolsonaro, o que mostra que a questão central para esse contigente de eleitores estava longe de ser a ideologia e sim a rejeição ao filho de Jair, maior do que a Lula. O problema é que não basta que uma eleição seja honesta, ela precisa parecer completamente honesta.

E nunca parecerá  honesto, tanto para os perdedores como para os seus apoiadores internacionais, o fato de o ex-advogado de Lula ter atendido a um pedido do chefão petista e atropelado as atribuições do TSE para causar uma interrupção de duas horas na apuração nacional. Tudo fica mais complicado porque as pesquisas eleitorais mais respaldadas pela imprensa projetavam a vitória de Flávio Bolsonaro, e mais uma vez elas erraram miseravelmente: Lula conseguiu uma vantagem sobre o adversário de 3,5%, bem além das margens de erro projetadas, o que deveria forçar a imprensa a parar de levá-las tão a sério.

Porque o resultado, embora real, não parece sê-lo inteiramente, Flávio Bolsonaro recorre à deslegitimação da vitória de Lula. Atitude previsível diante das circunstâncias de ontem e da inevitabilidade de ser caçado na planície pelo ministro Alexandre de Moraes, o predador da família Bolsonaro.

Condenar Flávio no caso do advogado Willer Tomaz, acusado de lavar dinheiro para o filho de Jair, torná-lo inelegível e, assim, decretar a morte política dos Bolsonaro, é o objetivo evidente de Moraes, cujo impeachment parece ter virado sonho de uma noite de verão. Flávio Bolsonaro, de quem as rachadinhas contaminaram a presidência do pai desde o início, está sem mandato nenhum, sem proteção política alguma, agora suspeito de crime ainda mais polpudo e, portanto, mais grave.

A sua vitória no primeiro turno turvou a visão de quem anseia pelo fim do reinado de Lula, populista que vem atrasando o Brasil há décadas. Obscureceu também a visão deste articulista, crítico de primeira hora da candidatura de Flávio Bolsonaro por considerá-la uma escolha egoísta do seu pai, que até a derrota de ontem se pretendia senhor de um inteiro espectro ideológico.

O filho de Jair sempre foi o pior candidato que a direita poderia ter. Depois de tomar o susto do primeiro turno, Lula e os seu acólitos, montados na máquina pública e na militância recobrada na sua ferocidade, partiram para o tudo ou nada contra quem tinha o vazio a oferecer: expectativas positivas que, a bem da verdade, foram projetadas no filho de Bolsonaro, não emanadas da sua triste figura.

O Brasil continua a amarrar o seu destino a Lula. Com ele, o máximo que podemos almejar é a mediocridade, a irrelevância.

O drama (alguém poderá dizer tragédia) deste país não tem fim, e a oposição é coautora dele.

Publicação Original Metropoles metropoles.com
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