Nuvem tóxica atinge iranianos após ataques a instalações petrolíferas; há risco de câncer
Duas semanas após o bombardeio israelense aos depósitos de petróleo de Teerã, uma nuvem tóxica continua pairando sobre a capital iraniana representando sérios riscos à saúde dos moradores.
A fumaça dos bombardeios de 7 de março, que atingiram diversas instalações, cobriu a cidade com poluentes que variam de fuligem a partículas de petróleo e dióxido de enxofre. Horas depois, uma tempestade que passou pela cidade encharcou Teerã com uma chuva tóxica e carregada de petróleo.
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Uma reportagem do jornal The Guardian entrevistou moradores de Teerã, que relataram diversos sintomas similares: dores de cabeça, irritação nos olhos e na pele e dificuldade para respirar.
Especialistas ouvidos pelo veículo alertaram que esses sintomas podem ser apenas o começo, com riscos a longo prazo de doenças cardiovasculares, comprometimento cognitivo, danos ao DNA e câncer.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o ataque representou um risco de 'contaminar alimentos, água e ar, perigos que podem ter graves impactos na saúde, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes'.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alertou que a densa fumaça proveniente da queima de petróleo foi 'inalada diretamente por pessoas no Irã – incluindo crianças pequenas –, o que levanta sérias preocupações sobre os impactos a longo prazo na saúde humana e ambiental'.
O The Guardian ouviu também Andrea Sella, professora de química inorgânica no University College London, na qual afirmou que o risco para a saúde a longo prazo 'dependerá muito da duração e da gravidade da exposição de cada indivíduo'.
'Existe o potencial de contaminação do abastecimento de água potável. Não há dúvida de que a fumaça desses incêndios é muito prejudicial e podemos prever um legado persistente de doenças respiratórias e outras enfermidades no futuro'.
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Destruição no Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Iranian Red Crescent / AFP
O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu nesta segunda-feira (23) um 'alerta global' para cidadãos americanos residentes fora dos Estados Unidos, especialmente no Oriente Médio.
No texto, se recomenda que as pessoas tomem medidas de precaução em meio à guerra em curso com o Irã.
'Grupos que apoiam o Irã podem ter como alvo outros interesses americanos no exterior ou locais associados aos Estados Unidos e/ou cidadãos americanos ao redor do mundo', destaca.
Na sexta-feira (20), o Irã ameaçou atacar destinos e pontos turísticos que são frequentados por americanos e israelenses, sem dar maiores detalhes.
A afirmação foi do porta-voz do exército, Sardar Shekarchi, segundo a agência de notícias ISNA. Ele culpa a resposta após o 'assassinato de funcionários do governo e de alguns comandantes' do governo iraniano.
'Estamos de olho em seus covardes funcionários e comandantes, seus pilotos e seus soldados, e não demorará muito para que os arrastemos para fora de seus esconderijos e abrigos, em total humilhação e desonra, para infligir a punição que suas ações malditas merecem. De agora em diante, centros turísticos e de lazer ao redor do mundo serão inseguros para os inimigos', declarou.
