Nunes e Ramuth minimizam críticas aos EUA após invasão da Venezuela
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o governador de São Paulo em exercício, Felício Ramuth, minimizaram as críticas aos Estados Unidos em relação à violação do direito internacional após a invasão na Venezuela, no último sábado (3).
O ponto crítico em questão se refere à avaliação de especialistas, segundo os quais as intervenções em território estrangeiro só são admitidas com autorização do Conselho de Segurança da ONU ou em situações de legítima defesa.
Ao comentar o episódio, Nunes afirmou que a discussão jurídica não pode se sobrepor, segundo ele, ao que chamou de "violação sistemática da dignidade humana" sob o regime de Nicolás Maduro. O prefeito citou eleições fraudadas, empobrecimento da população e o êxodo de milhões de venezuelanos como justificativa para relativizar o debate sobre legalidade internacional.
Nunes também associou a saída de Maduro do poder à expectativa de redução do fluxo migratório para o Brasil. Segundo o prefeito, São Paulo abriga atualmente cerca de mil venezuelanos em equipamentos municipais, o segundo maior grupo entre os acolhidos, atrás apenas de angolanos. Para ele, a mudança no comando do país pode permitir que a população venezuelana volte a viver em seu território, sem a necessidade de fuga.
Ainda sobre o impacto local, o prefeito disse que a cidade tem hoje cerca de 27 mil vagas em abrigos, com pouco mais de 21 mil ocupadas, e afirmou que São Paulo seguirá acolhendo migrantes, caso novos fluxos ocorram.
Na mesma linha, o governador em exercício, Felício Ramuth também relativizou as críticas à ação americana e fez associações políticas com o PT, repetindo um discurso semelhante ao adotado pelo governador Tarcísio de Freitas, que está de férias nos Estados Unidos.
Ramuth classificou o partido como “narcoafetivo” e afirmou que o regime venezuelano mantinha uma relação de dependência com o narcotráfico. Para ele, a operação conduzida pelos Estados Unidos foi correta e pontual, e representa o primeiro passo para uma transformação na Venezuela.
O governador em exercício também acredita que a tendência agora é que o êxodo diminua e que parte da população retorne ao país, caso se consolide um processo de transição que leve a um "novo governo e a melhores condições de vida".
