Número de trabalhadores ligados a sindicatos fica estável em 2025, mostra IBGE

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Fonte da notícia: Globo Globo

O total de brasileiros empregados que estavam filiados a algum sindicato permaneceu estável em 2025 frente ao ano anterior, com 9,1 milhões de pessoas. Em termos percentuais esse número significou que 8,8% do total de ocupados estava filiado a sindicatos no ano passado. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Características adicionais do mercado de trabalho 2025, divulgada nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em termos percentuais, o percentual de sindicalizados entre os ocupados mudou de patamar desde a aprovação da reforma trabalhista, em 2017. Na ocasião, os trabalhadores passaram a não ser mais obrigados a destinar o valor equivalente a um dia de trabalho por ano aos sindicatos de classe, o chamado imposto sindical. Além disso, no mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia declarado inconstitucional a cobrança, por acordo ou convenção coletiva, de contribuições assistenciais de empregados, mesmo que não sindicalizados. Esse entendimento foi alterado pela própria Corte em 2023, quando o Supremo entendeu que a cobrança compulsória, desde que em valor compatível com os ganhos da categoria e com garantia do direito de oposição ao pagamento. 

A série histórica mostra o comportamento da sindicalização desde a reforma trabalhista. Em 2017, 14,2% dos ocupados eram sindicalizados, patamar que recua constantemente até os 8,4% de 2023, nível mais baixo da série. Em 2024 houve recuperação para 8,9% em 2024 e 8,8% no ano passado. "A partir de 2017, embora com ocupação crescente, o número de trabalhadores sindicalizados apresentou perdas de mais de 1 milhão de associados em alguns anos e, em 2023, foi registrada a menor taxa de sindicalização de toda a série histórica", diz o IBGE. Em termos das diferenças de sindicalização por sexo, o IBGE nota que em 2012 a diferença no percentual de homens e mulheres sindicalizados era de 2 pontos percentuais, o que caiu para 0,2 pontos percentuais no ano passado. Em 2025, era de 8,9% o percentual de homens sindicalizados, enquanto entre as mulheres a fatia era de 8,7%.  A Região Nordeste era a única em que o percentual de mulheres sindicalizadas, de 9,6%, era maior que o de homens sindicalizados (8,9%). Outro ponto ressaltado pelo IBGE é que agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi o grupo com a maior taxa de sindicalização no ano passado, com 14,7%. "Esse grupamento possui participação importante nos sindicatos de trabalhadores rurais, muitos deles de pequeno porte da agricultura familiar, principalmente nas regiões Nordeste e Sul", afirmou o IBGE, lembrando que todos os dez grupamentos de atividade investigados pelo instituto apresentaram estabilidade na taxa de sindicalização entre 2024 e 2025. O estudo também revelou que, no ano passado, o empregado no setor privado com carteira assinada, o trabalhador familiar auxiliar e o empregado no setor público tinham as taxas de sindicalização mais elevadas, respectivamente com 11,3%, 10,2% e 18,4%. Na outra ponta, o empregado no setor privado sem carteira assinada (3,3%) e o trabalhador doméstico (2,8%) tinham as menores coberturas sindicais. "A expansão da população ocupada nos últimos anos não se converteu em aumento da cobertura sindical no país. Esse resultado pode estar relacionado a diversos elementos, como a forma de inserção do trabalhador na ocupação, as modalidades contratuais flexíveis pela reforma trabalhista e o uso crescente de contratos temporários no setor público", diz o IBGE. O instituto também observou que, no ano passado, entre os 9,1 milhões de trabalhadores sindicalizados no país, 38,2% tinham ensino superior completo, enquanto 37,7% tinham o ensino médio completo. Em relação à taxa de sindicalização, o menor patamar, de 5,6%, era entre aqueles com ensino fundamental completo e médio incompleto, enquanto a maior, de 13,5%, era entre os ocupados com ensino superior completo.

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