O Banco Central (BC) disse nesta terça-feira (27) que o país tinha 20,3 milhões de superendividados em junho de 2026, o que representa uma alta de 75% em cinco anos. Os dados constam no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre de 2026.
Os 20,3 milhões de pessoas equivalem a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em dezembro de 2025, eram 16,5%.
No primeiro semestre do ano passado, eram contabilizados 14,7%. A taxa era de 9,7% em junho de 2021.
Segundo o BC, o elevado endividamento das famílias e das empresas permanece como fonte relevante de preocupação para o BC e para o mercado financeiro. "A capacidade de pagamento permanece desafiadora e a materialização do risco de crédito aumentou", disse o BC.
A autoridade monetária define o superendividamento como a situação em que as dificuldades de pagamento das dívidas comprometem, de forma relevante e duradoura, o padrão de vida de indivíduos e famílias. De acordo com o REF, a digitalização dos serviços financeiros amplia a exposição a fraudes, golpes, ataques cibernéticos e modelos de negócios que podem explorar comportamentos impulsivos dos consumidores.
"Esses riscos, combinados com vulnerabilidades individuais, baixos níveis de educação financeira e digital e elevado endividamento, reforçam a preocupação regulatória com o superendividamento", defendeu o BC. Os impactos dos riscos extrapolam a esfera financeira, alcançando a saúde física e mental, a empregabilidade e a produtividade das pessoas.
O BC citou que, no Brasil, a então permitida expansão das apostas de quota fixa (bets, já proibidas) representa um fator adicional de pressão sobre o orçamento das famílias, com gasto mensal estimado em R$ 24,1 bilhões, segundo o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
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