Número de mortos em ataques de Israel no Líbano após cessar-fogo chega a 254, diz Ministério da Saúde
O número de mortos nos ataques realizados por Israel no Líbano nesta quarta-feira subiu para 254, segundo o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
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A atualização ocorre após uma série de bombardeios intensos que atingiram diferentes regiões, incluindo bairros de Beirute, sua periferia sul — reduto do Hezbollah —, além do Vale do Beqaa e do sul do país.
Segundo as Forças Armadas de Israel (FDI), a ofensiva fez parte de uma operação coordenada que atingiu mais de 100 alvos em poucos minutos, com o uso de cerca de 50 caças e 160 munições.
Os alvos incluíram centros de comando, estruturas de inteligência, locais de lançamento de mísseis e posições de unidades de elite do Hezbollah, como a Força Radwan, segundo o Exército israelense.
Imagens registraram colunas de fumaça sobre a capital libanesa, enquanto jornalistas relataram cenas de pânico nas ruas após as explosões.
Para justificar os ataques recentes ao Líbano, autoridades de Israel afirmaram que o cessar-fogo não se aplicava ao território libanês, discurso confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posteriormente.
Irã volta a fechar o Estreito de Ormuz
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
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Editoria de Arte/O Globo
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter "o dedo no gatilho" em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas "acreditar" que o estreito estava aberto à navegação.
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O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele abrange o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe "não foi incluído no acordo". Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região". Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.
