Inaugurado há cerca de dois meses, o Quintal da Clementina, na Rua do Senado, já é considerado responsável por um novo ciclo na Lapa, que volta a receber grandes rodas de samba, como o Terreiro de Crioulo, fundada há 12 anos em Realengo, na Zona Oeste, e que em junho foi eleita por um juri de especialistas reunidas pelo GLOBO, como a melhor do Rio.
A cantora Teresa Cristina também levou o seu “Samba da TT” para a nova casa no sábado passado, em pleno calor da campanha do segundo turno da eleição presidencial. Os dois projetos são candidatos a se manter na programação — fixa ou não — do espaço, que mantém atrações de sexta-feira a domingo, além dos feriados e suas vésperas, mas que pretende abrir também às quintas.
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O Terreiro de Crioulo, que já fez três apresentações no local, deverá se tornar atração fixa das sextas-feiras a partir do final de novembro. Já Teresa Cristina promete voltar à casa, com a sua roda, sempre que a agenda permitir, embora não queira se comprometer com as apresentações fixas, como as que marcaram o início de sua carreira na noite da Lapa.
Já PH Mocidade, do Terreiro de Crioulo, defende a oportunidade de ampliar as fronteiras: —É importante para o samba da Zona Oeste marcar presença no centro da Cidade.
Estamos num momento muito bom para o samba e com essas apresentações passamos a atingir um novo público, que acha Realengo distante — afirma o músico, um dos fundadores da roda. Halloween: confira dicas de tortas, doces, drinques e programas de arrepiar
A casa com espaço para receber até mil pessoas conta com ótima infraestrutura, que inclui banheiros climatizados, além de ter o DNA de espaços tradicionais como o Beco do Rato, na Rua Joaquim Silva —que possui programação fixa todos os dias da semana — e o extinto Samba Luzia. Desde a inauguração, no começo de setembro, por suas rodas já passaram nomes como Toninho Geraes, Nego Álvaro, Marina Iris e o Grupo Arruda.
A programação do feriadão de Finados inclui Délcio Luiz, Bom Gosto e Renan Oliveira, tendo como convidados o grupo Revelação e Xande de Pilares. — A gente viu que as rodas tradicionais se encaixariam muito bem na proposta da nossa casa, com um samba de raiz e autêntico, característico da região da Lapa — defende Márcio Ferreira, um dos idealizadores do quintal da Clementina.
Teresa Cristina levou seu "Samba da TT" para o Quintal da Clementina Reprodução
Reduto do samba O bairro mais boêmio do Rio, tradicional reduto do samba, que teve um renascimento na década de 1990 estimulado pelas rodas em casas como o Bar Semente e Carioca da Gema, vive uma nova fase.
O sucesso do Quintal da Clementina reverbera pela região, em projetos como Quintal da Lapa, na esquina da Rua do Lavradio, com a Avenida Chile, que programou para o próximo dia 20 o Festival Consciência Negra, com atrações como Quintal da Magia e Tinga, intérprete oficial da Unidos de Vila Isabel.
Pelo espaço já passaram também Délcio Luiz e Mauro Diniz. Esse último foi também atração recente do Samba da Volta, que duas vezes no mês ocupa um espaço na Rua da Constituição.
A roda costuma a receber convidados como Moacyr Luz, Cleber Luiz, Neguinho da Beija Flor e Wande Pires, entre outros. Ancelmo Gois: Chafariz centenário volta a jorrar água em praça de Laranjeiras
O Samba do Senado, na rua de mesmo nome, é outra roda que costuma levar para a região grupos como Arruda, Quintal da magia e Samba do Xoxó, atrações deste domingo. A vantagem é que esses eventos são gratuitos, têm ingresso colaborativo ou preços acessíveis.
A pioneira Teresa Cristina aprova esse novo ciclo da Lapa: —A Lapa vai ter sempre um lugar que vai entrar no auge, daqui apouco em decadência e depois subir de novo.
Os lugares vão se modificando e a Lapa vai crescendo em outras direções, como a da Cruz Vermelha e da Glória e Praça Paris. A Lapa é viva, vai se modificando e se adaptando.
É um órgão vivo do Rio de Janeiro e eu fico muito feliz com a multiplicação das rodas de samba — avalia a artista. Pelos dados oficiais da prefeitura, que não são atualizados desde 2024, a cidade tem 150 rodas de samba, sendo quase 30% na região central .
O Globo