Nove casos de morte ou desaparecimento de pessoas ligadas a segredos tecnológicos dos EUA acendem alerta

 

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Nove mortes ou desaparecimentos de pessoas ligadas a programas que envolvem segredos tecnológicos dos EUA, ocorridos desde 2023, acenderam um alerta de autoridades e provocaram o surgimento de teorias da conspiração em redes sociais.

Em julho de 2023, morreu Michael David Hicks, cientista pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa (agência espacial dos EUA). A causa da morte nunca foi divulgada e não há registro de autópsia.

Hicks, que trabalhou no JPL de 1998 a 2022, é autor de mais de 80 artigos científicos publicados e fez parte de diversas equipes que ajudaram a Nasa compreender as propriedades físicas de cometas e asteroides. O cientista esteve envolvido no Projeto DART, o teste da Nasa para verificar se seria possível desviar asteroides perigosos da Terra. Ele também trabalhou na missão Deep Space 1, que testou novas tecnologias de espaçonaves que sobrevoaram um cometa em 2001. A morte de Hicks nunca foi tratada como criminosa, mas algumas lacunas abriram caminho para especulações.

Essas especulações ganharam nova forças após Monica Reza, diretora do Grupo de Processamento de Materiais do JPL, desaparecer sem deixar rastros em junho de 2025, apenas alguns meses após iniciar seu trabalho no laboratório da Nasa.

Frank Maiwald

Reprodução

Outros dois homens com fortes ligações com o JPL morreram recentemente, incluindo um antigo colega de Hicks, Frank Maiwald, que faleceu em julho de 2024 aos 61 anos, com ainda menos repercussão pública sobre a sua morte, apesar de ele ser bastante conhecido na comunidade científica. Em junho de 2023, apenas 13 meses antes de sua morte, Maiwald era o pesquisador principal de uma descoberta inovadora que poderia ajudar futuras missões espaciais a detectar sinais claros de vida em outros mundos do sistema solar e fora dele.

"Não houve comentários públicos de autoridades após a morte do estimado cientista, e o único registro público de seu falecimento foi um único obituário publicado online", destacou o jornal. Nasa e JPL não quiseram comentar sobre as mortes.

Curiosamente, apontou o "Daily Mail", uma série de obituários online dedicados a Hicks não mencionou nenhum problema de saúde antes da morte do cientista de 59 anos, que parece ter ocorrido repentinamente, cerca de um ano após deixar o JPL. Situação semelhante ocorreu após a morte de Maiwald em 4 de julho de 2024, quando o proeminente pesquisador do JPL faleceu em Los Angeles por circunstâncias desconhecidas.

Carl Grillmair

Reprodução/Calltech

Além deles, o astrofísico Carl Grillmair, de 67 anos, foi assassinado na varanda da sua casa em 16 de fevereiro de 2026. O trabalho do pesquisador do Instituto de Tecnologia da Califórnia recebeu amplo apoio do JPL, e Grillmair esteve pessoalmente envolvido em importantes missões de telescópios espaciais lideradas pela Nasa.

A série de mortes e desaparecimentos chamou a atenção do Congresso e de membros da comunidade de inteligência dos EUA, que veem um padrão preocupante envolvendo especialistas com conhecimento em mísseis e motores de foguete.

"Pode-se dizer que todos esses casos são suspeitos, e esses são cientistas que trabalharam com tecnologia crítica", declarou ex-diretor assistente do FBI (polícia federal dos EUA), Chris Swecker.

Swecker afirmou que diversos serviços de inteligência estrangeiros, incluindo inimigos e aliados dos EUA, têm como alvo americanos que possuem segredos da tecnologia nacional há décadas:

"China, Rússia, Paquistão, Índia, Irã, Coreia do Norte e até mesmo alguns de nossos amigos têm como alvo esse tipo de tecnologia."

"Houve vários outros casos em todo o país de pessoas que desapareceram em circunstâncias suspeitas. Acho que devemos prestar atenção nisso", comentou o congressista do Tennessee Tim Burchett ao "Daily Mail" em março.

Burchett estava se referindo a quatro casos de desaparecimentos no seio da comunidade científica.

Conectados e desaparecidos: major-general William McCasland e cientista Monica Reza

Reprodução

Monica Reza, de 60 anos, desapareceu na manhã de 22 de junho de 2025, na Floresta Nacional de Angeles, enquanto fazia uma trilha com dois companheiros experientes que exploravam a popular Trilha do Monte Waterman. Monica usava o sobrenome Jacinto na sua carreira profissional de grande sucesso como cientista da Aerojet Rocketdyne, empresa financiada por anos pela Nasa (agência espacial dos EUA) e pelo Laboratório de Pesquisa da Força Aérea, de acordo com o "SpaceNews".

Sua "superliga" patenteada à base de níquel, Mondaloy, a colocou na órbita do major-general William McCasland — que supervisionou o grupo da Força Aérea que financiou pesquisas no início dos anos 2000 sobre materiais avançados necessários para veículos espaciais e armas reutilizáveis.

McCasland foi diretor da Divisão de Materiais do Laboratório de Pesquisa de Veículos Espaciais da Força Aérea e comandante do Centro de Pesquisa Phillips na Base Aérea de Kirtland de 2001 a 2004, o que se relaciona diretamente com a pesquisa de Monica, de acordo com sua biografia oficial na Força Aérea.

"Como Mondaloy é uma família de ligas, trabalhei com a Força Aérea para aumentar a produção, analisar diferentes métodos de processamento e preparar o material para inserção em um motor de foguete", disse a cientista à "SpaceNews" num perfil publicado em 2017.

McCasland, que esteve no centro algumas das pesquisas aeroespaciais mais avançadas do Pentágono e está ligado ao caso do "alien de Roswell, também está desaparecido. De acordo com a Fox News, McCasland teve um contato com um profissional de reparos residenciais por volta das 10h da manhã de 27 de fevereiro, o dia em que desapareceu. O militar da reserva sumiu o intervalo de uma hora (entre 11h e meio-dia) em que a sua esposa estava fora para uma consulta médica, deixando para trás seu celular e seus óculos.

A esposa, Susan McCasland Wilkerson, afirmou que ele não sofre de demência nem de Alzheimer.

"É verdade que, quando Neil estava na Força Aérea, ele tinha acesso a alguns programas e informações altamente confidenciais. Ele se aposentou da Força Aérea há quase 13 anos e, desde então, só teve autorizações de segurança muito comuns. Parece bastante improvável que ele tenha sido levado para extrair segredos muito antigos dele", escreveu Susan no Facebook.

Última imagem conhecida de Melissa Casias à beira de estrada no Novo México

Reprodução/GoFundMe

Outras duas pessoas ligadas à pesquisa nuclear desapareceram com poucas semanas de diferença. Anthony Chavez e Melissa Casias, ambos funcionários do Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL), sumiram de suas casas em 2025 em circunstâncias quase idênticas.

Chavez, de 79 anos, trabalhou no laboratório de pesquisa nuclear até sua aposentadoria em 2017. Casias, de 54 anos, era assistente administrativa na instituição e acredita-se que possuía autorização de segurança máxima.

Ambos foram vistos pela última vez saindo de suas casas no Novo México a pé, deixando para trás seus carros, chaves, carteiras e celulares antes de desaparecerem sem deixar rastros há quase um ano.

Melissa que trabalhava com o marido como assistente administrativa no Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL) — famoso por desenvolver armas nucleares durante o Projeto Manhattan (programa de pesquisa e desenvolvimento que produziu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial).

"O FBI não pode examinar esses casos isoladamente e tratá-los como casos individuais de pessoas desaparecidas", afirmou Swecker.

Melissa foi vista pela última vez em imagens de câmeras de segurança em 26 de junho de 2025, caminhando sozinha à beira de uma rodovia sem carteira, celular ou chaves, depois de dizer aos familiares que trabalharia de casa, segundo o "Dateline". A família disse não ter a menor ideia do que Melissa fazia naquele local. Teme-se que ela tenha entrado em algum carro e sumido, não sendo vista desde então.

Em outro incidente misterioso, Jason Thomas, pesquisador farmacêutico que testava tratamentos contra o câncer na Novartis, foi encontrado morto em um lago em Massachusetts em 17 de março de 2026, após desaparecer sem deixar rastros três meses antes.

Nuno Loureiro

Reprodução/MIT

O último incidente da lista de mortes suspeitas envolve o português Nuno Loureiro, que tinha 47 anos. Ele foi assassinado na sua casa em Brookline, um subúrbio de Boston, em 15 de dezembro de 2025. As autoridades disseram que o atirador foi Claudio Neves Valente, um ex-colega de classe português. Dias depois, Claudio foi achado morto. As circunstâncias do crime não foram completamente esclarecidas.

Embora o assassinato de Loureiro não tenha sido diretamente relacionado às outras mortes e desaparecimentos, Burchett, Swecker e investigadores independentes observaram que o seu trabalho revolucionário na área da fusão nuclear pode tê-lo tornado alvo de uma conspiração maior contra cientistas americanos.