Nos EUA, 'terceiro turno das eleições' potencializa vitória de Lula e enfraquece influência dos Bolsonaros, diz especialista

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As eleições de meio de mandato americanas, que há quatro semanas o cientista político Carlos Melo chamou de terceiro turno do pleito brasileiro, potencializam a vitória de Lula e abrem espaço para a direita brasileira se descolar do bolsonarismo. A análise é do próprio Melo, que disse ao blog ver na derrocada de Donald Trump, de um lado, a abertura de canais de diálogo do presidente brasileiro com novas lideranças americanas e, de outro, o enfraquecimento do movimento de extrema direita no Brasil, representado pela família Bolsonaro.

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— A derrota tira capacidade de pressão do governo Trump e dos Bolsonaros, que não terão o mesmo ambiente para articular politicamente de lá. O Texas, onde mora Eduardo Bolsonaro, teve um resultado muito claro pró-democrata, que deixa a família numa situação em que seu raio de ação fica muito encurtado.

Ao mesmo tempo, para o governo brasileiro, o cenário melhora. Abre-se interlocução com as novas lideranças norte-americanas.

O presidente Lula já tem uma interlocução grande com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que é hoje muito influente nos Estados Unidos de uma forma geral e no Partido Democrata, especificamente — exemplifica o cientista político, que é professor do Insper. E acrescenta:

— Esse movimento dos Estados Unidos também ajuda a direita no movimento de descolamento do bolsonarismo, que sai enfraquecido dessa que é uma segunda derrota, após a de Flávio Bolsonaro. Eleição de Haaland para governar o Novo México, é inspiração para povos indígenas do Brasil e do mundo, diz Eloy Terena

Para Melo, as novas lideranças com as quais se abrem canais de interlocução para o governo brasileiro podem ajudar a evitar que o Congresso americano ceda às pressões da extrema direita americana contra o Brasil. Ele, no entanto, pondera:

— A questão agora é se o presidente Lula vai saber aproveitar isso, se vai tirar vantagem dessa onda, se terá capacidade política e diplomática para interagir nesse novo ambiente. Vamos ter que observar no dia a dia e acompanhar os sinais.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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