Loja de roupas de nora do presidente paraguaio fez um dos maiores empréstimos do banco ueno Reprodução/X Serenella Argaña Scavone, nora do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que renunciou nesta quinta-feira (05), é acusada de receber empréstimo de 8,8 bilhões de guaranis (cerca de R$ 8 milhões) do Ueno Bank para sua loja de roupas, a MUAR SRL.O valor atribuído à empresa consta em uma relação que circulou após a crise da instituição financeira.
A operação chamou atenção nas redes sociais tanto pela quantia quanto pelo vínculo familiar da proprietária com o presidente paraguaio.Em um comunicado, a empresária, casada com Gonzalo Peña, filho do chefe de Estado, não citou as acusações e falou sobre as dificuldades de manter uma empresa.A publicação foi apagada depois da repercussão e os perfis de Serenella e de seu marido, Gonzalo Peña, também foram excluídos das redes sociais.
Além disso, a loja restringiu os comentários em suas publicações, impedindo novas manifestações de usuários, inclusive críticas à marca.O ex-senador colorado Rodolfo Friedmann comentou o valor atribuído à nora de Peña e questionou a relação do empreendimento com a família presidencial.CONFIRA: Ueno Bank e Banco Master: entenda semelhanças entre as crises Banco deixou clientes sem acesso ao dinheiroO Banco Central do Paraguai interrompeu as atividades do banco Ueno na terça-feira (03) após identificar problemas financeiros, que levantaram dúvidas sobre a capacidade da instituição de pagar suas dívidas e devolver o dinheiro aos clientes.Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o banco também administrava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,64 bilhões) em dinheiro público.
Entre os recursos estavam valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de fundos destinados ao pagamento de aposentadorias.Com as operações suspensas, clientes procuraram as agências do banco para tentar movimentar suas contas, mas encontraram as portas fechadas. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.O caso provocou manifestações em Assunção, capital do país.
Os participantes dos atos passaram a madrugada em frente ao Congresso Nacional para cobrar a liberação do dinheiro e a responsabilização dos envolvidos no caso. Os protestos tiveram momentos de tensão, e a polícia utilizou jatos de água para dispersar os manifestantes.Crise provocada pelo bancoA crise ganhou grande repercussão depois que veio à tona a ligação de Santiago Peña com o grupo empresarial responsável pelo Ueno.
O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.Na Câmara dos Deputados, 35 parlamentares oposicionistas chegaram a apresentar um pedido de impeachment contra Peña. O caso também provocou mudanças na direção do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo deixou a presidência da instituição na terça-feira (03), depois que Peña pediu sua saída.A atuação de Carvallo na fiscalização do Ueno passou a ser questionada porque, antes de assumir o comando do Banco Central, ele havia ocupado um cargo de direção em uma instituição que deu origem ao banco.Após sua saída, Liana Caballero assumiu temporariamente a presidência do órgão.
Na quarta-feira (04), Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para ocupar o cargo. A escolha ainda depende da aprovação do Congresso.O Ministério Público determinou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes ligados ao banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.
Ao todo, 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas.
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