A jurista sul-africana Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz de 2026, construiu parte de sua trajetória na luta contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorou na África do Sul. Em 1973, sua atuação contribuiu para garantir a presos políticos, entre eles Nelson Mandela, o direito de acesso a advogados, em um período marcado pela repressão a opositores do governo. Saiba mais: Nobel da Paz de 2026 vai para Navi Pillay por esforços em defesa da paz e do direito internacional Veja mais: Quem é Navi Pillay, vencedora do Nobel da Paz 2026 Pillay, de origem tâmil-indiana, começou a trabalhar como advogada em 1967, quando abriu seu próprio escritório na província de Natal. Na época, enfrentava a discriminação racial também dentro da profissão. Ao longo de 28 anos de carreira na África do Sul, defendeu ativistas contrários ao regime e denunciou práticas de tortura e as condições enfrentadas por detentos políticos. A luta por direitos durante o apartheid Mandela passou 27 anos preso por sua atuação contra o regime segregacionista e se tornou um dos principais símbolos da luta pela igualdade racial no país. A contribuição de Pillay para assegurar o acesso de presos políticos à assistência jurídica ocorreu nesse contexto, em que o governo restringia liberdades e perseguia opositores. A trajetória da jurista também se cruzou com a transformação institucional da África do Sul após o fim do apartheid. Em 1995, durante a Presidência de Mandela, Pillay foi nomeada para a Suprema Corte do país, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o tribunal. Da África do Sul aos tribunais internacionais Pillay ampliou sua atuação para o cenário internacional como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou responsáveis pelo genocídio de 1994, e da Corte Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, órgão responsável por promover e acompanhar a proteção desses direitos no mundo. O Nobel da Paz de 2026 foi anunciado nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. Nesta semana, outros nomes também foram reconhecidos pela premiação: Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Nobel de Medicina; Francis Halzen, o de Física; Henri B. Kagan e Kenso Soai, o de Química; e Anne Carson foi laureada em Literatura. O último anúncio será o de Ciências Econômicas, previsto para segunda-feira (12).
Nobel da Paz 2026: Como Navi Pillay ajudou a garantir direitos a Nelson Mandela durante o apartheid
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O Globo
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