No Vaticano após críticas de Trump ao líder da Igreja Católica, secretário de Estado dos EUA tem conversa 'amistosa' com Leão XIV
Em meio ao estremecimento das relações entre EUA e Vaticano após os ataques do presidente americano, Donald Trump, ao Papa Leão XIV, o chefe da diplomacia de Washington, o secretário de Estado Marco Rubio, visitou o líder da Igreja Católica na sede da Santa Sé nesta quinta-feira, em um encontro destinado a apaziguar tensões e criar laços entre o governo conservador republicano e o primeiro Sumo Pontífice nascido nos EUA.
Rubio foi recebido no Palácio Apostólico do Vaticano pelo Papa e pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, na manhã desta quinta. Fotos do encontro divulgadas pela Santa Sé mostram a comitiva americana sendo recepcionada, trocas de cumprimentos entre Rubio e Leão XIV, além de um momento em que ambos tocam uma bíblia ao mesmo tempo. Em um breve comentário sobre a audiência privada, autoridades americanas descreveram as conversas como "amistosas e construtivas".
O secretário de Estado americano, um católico praticante de origem cubana, foi o escolhido dos EUA para a viagem diplomática após os recentes embates públicos entre Trump e Leão XIV. Apenas dias antes da chegada de Rubio ao Vaticano, o presidente americano deu uma entrevista a um podcast de orientação conservadora nos EUA, afirmando que o Papa colocava "católicos em risco" ao "achar aceitável" que o Irã desenvolvesse armas nucleares. Questionado sobre a fala de Trump, o Bispo de Roma respondeu que a missão da Igreja Católica é "pregar a paz" e o Evangelho.
— Se alguém quiser me criticar por proclamar o Evangelho, que o faça com a verdade — disse Leão XIV a repórteres. — A Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos, então não há dúvidas sobre isso.
A disputa entre os dois cidadãos americanos começou semanas antes. Após Leão XIV pregar pela paz no Oriente Médio e condenar como "verdadeiramente inaceitável" o ultimato de Trump em que o mandatário ameaçou "destruir uma civilização", o republicano atacou o Pontífice, chamando-o de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa".
As críticas do presidente americano também alcançaram uma dimensão pessoal, acusando-o de querer "agradar a esquerda radical" e de ser "liberal demais". Trump ainda e aconselhou Leão XIV a se concentrar "em ser um grande Papa, não um político", e sugeriu que a escolha do Pontífice no conclave que definiu a sucessão do Papa Francisco observou sua presença na Casa Branca.
"Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante", escreveu Trump em uma longa publicação em meio ao embate. "Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano".
O Pontífice não ficou em silêncio. Em uma das respostas que mais repercutiram, ele afirmou não ter "medo" do governo Trump durante uma viagem à África. A declaração, pouco depois do presidente dos EUA publicar uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparecia como Jesus Cristo, Leão XIV afirmou:
— Não quero entrar em um debate com ele. Não acredito que a mensagem do Evangelho deva ser usada de forma indevida como algumas pessoas estão fazendo — disse ao cumprimentar jornalistas no avião. — Mas não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer. Não somos políticos, não lidamos com assuntos externos sob a mesma perspectiva que ele pode compreender, mas acredito na mensagem do Evangelho como promotor da paz.
*Matéria em atualização
