Diante de um cenário marcado pelo aumento da concorrência com cursos judicializados e pela pressão com o Enamed (exame que avalia a graduação de medicina), a Ânima fechou um contrato de R$ 150 milhões, com correção e adicional sobre desempenho, com o Einstein para que o hospital israelita preste uma consultoria para os seus 15 cursos de medicina.
A Ânima vai poder usar a marca Einstein durante 20 anos, renováveis pelo mesmo período — o que pode atrair alunos.
“A qualidade vai ser de fato o diferencial. É nesse contexto que fechamos essa parceria”, disse Maurício Escobar, presidente da Inspirali, braço de educação médica da Ânima que conta com 1,9 mil vagas. A companhia realizou no fim desta tarde apresentação sobre a parceria.
Na primeira edição do Enamed, cujos resultados foram divulgados em fevereiro, cerca de 60% dos cursos privados foram considerados insatisfatórios. Entre aqueles judicializados, o percentual chega a 70%. A Ânima tem cursos nessas condições.
O Brasil já tem cerca de 50 mil vagas de medicina, sendo que a maior parte está em faculdades privadas.
Os cursos com notas baixas ficam impedidos de ofertar vagas em programas estudantis do governo como Fies e ProUni, além de não poderem matricular novos alunos.
O presidente da Inspirali disse que já enfrenta dificuldades para preencher turmas em algumas praças. A expectativa é que com a parceria com Einstein haja preenchimento das vagas ociosas e aumento no valor da mensalidades ao se posicionar como um curso premium.
O Einstein tem há dez anos um curso de medicina, considerado um dos melhores do país, com alta procura. Apesar de ser também um curso premium, não deve haver concorrência direta com os cursos da Ânima.
O pagamento de R$ 150 milhões será efetuado em duas parcelas. A primeira parte de R$ 75 milhões será quitada na data da assinatura e a segunda parcela será paga dentro de um ano, com correção de IPCA.
Com a primeira parcela, a companhia informa que sua alavancagem sai de 2,41 para 2,47 vezes.
Haverá ainda um comissionamento ao Einstein equivalente a 6% da receita líquida dos novos alunos que se matricularem a partir da data de assinatura do contrato, cujo pagamento será trimestral.
A parceria prevê ainda uma remuneração adicional condicionada ao atingimento de determinadas metas nos primeiros dez anos do contrato (2027 – 2036), com dispêndio anual.
Esse pagamento adicional ocorrerá apenas se a quantia do comissionamento for inferior ao valor de referência determinado pelas partes para aquele ano. Em 2027, por exemplo, o valor de referência é de R$ 26 milhões. Em 2036, esse montante é de R$ 136,3 milhões.
Caso o valor do comissionamento acrescido à remuneração adicional máxima seja inferior ao valor de referência do ano em questão nenhum outro valor adicional será devido.
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