Newcastle em SC: terceiro foco acende alerta de toda a cadeia

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Detectado em aves sem sintomas, o caso de Nova Erechim amplia a vigilância e restrições comerciais já alcançam produtos de Santa Catarina e do Brasil. O terceiro foco da doença de Newcastle em Santa Catarina foi confirmado em Nova Erechim durante o monitoramento da área de emergência.

O lote de 9,6 mil aves não apresentava sintomas. O vírus foi localizado pelos exames, justamente a razão para a investigação não parar quando as aves parecem saudáveis.

A Cidasc ampliou em aproximadamente 9,5 quilômetros o raio de vigilância. Entre 20 e 26 de outubro, as equipes vistoriaram 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência.

Quatro barreiras sanitárias seguem ativas e os quatro municípios da emergência zoossanitária continuam sendo Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. O primeiro foco, em Nova Itaberaba, teve as medidas sanitárias concluídas e a propriedade entrou em vazio sanitário.

Em Coronel Freitas, o despovoamento dos perus foi concluído e a limpeza e desinfecção seguem em andamento. No terceiro local, o Serviço Veterinário Oficial iniciou a investigação e as medidas de contenção.

Em áudio exclusivo enviado à coluna, após a confirmação do segundo foco, Celles Regina de Matos, presidente da Cidasc e médica-veterinária, já havia alertado: “Podemos encontrar novos focos? Sim, porque é uma doença silenciosa e só por exame é possível detectar”. O terceiro resultado confirmou o alerta e mostrou por que a vigilância ativa é indispensável.

As restrições comerciais têm alcances diferentes. Na atualização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicada em 27 de outubro, Malásia e México suspenderam categorias de produtos avícolas de todo o Brasil; Arábia Saudita, China e Chile aplicavam medidas sobre produtos de Santa Catarina.

O Uruguai também editou uma suspensão temporária para aves e produtos avícolas brasileiros, com regras e exceções próprias. A diferença entre uma restrição nacional e outra regional importa.

Uma carga que perde o destino previsto precisa encontrar outro comprador, atender a outro protocolo e pode acabar negociada por preço diferente. O tamanho do eventual prejuízo depende dos produtos atingidos, do tempo de restrição e da capacidade de redirecionar embarques.

Não há, até aqui, um número que permita transformar risco em perda contabilizada. Santa Catarina exportou 1,2 milhão de toneladas de carne de frango em 2025, com receita de US$ 2,45 bilhões: 23,3% do volume e 25,6% do valor exportado pelo Brasil.

É uma cadeia que sustenta produtores, agroindústrias, transportadores e empregos. A sanidade, portanto, não é assunto restrito à granja onde o vírus foi detectado.

“Precisamos detectar tudo o que houver no campo e fazer o despovoamento dessas aves em benefício dos demais lotes, propriedades e municípios de Santa Catarina”, afirmou Celles. É uma cobrança técnica e direta.

Para o consumidor, o Mapa reforça que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros, sem contraindicação. O alerta é sanitário e comercial, pânico no balcão não ajuda a resolver nenhum dos dois.

Na primeira reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) depois das eleições, o presidente Pedro Lupion disse que a bancada está atenta à Newcastle, acompanha as consequências e quer contribuir para a retomada da normalidade. Ao resumir a postura da FPA diante do governo, afirmou: “A eleição terminou, não temos ideologia aqui.

Vamos apoiar decisões boas do governo para o agro e vamos contestar as ruins”. Ele lembrou que o campo, o produtor e a sanidade não esperam.

É uma agenda que pede trabalho conjunto: Cidasc e Mapa na vigilância e na contenção, setor produtivo mantendo a biosseguridade e comunicando suspeitas e governo federal negociando com os parceiros comerciais. A operação no Oeste já mobiliza estado, União, municípios e representantes do setor.

Agora, coordenação e transparência precisam seguir no mesmo ritmo das coletas. O terceiro foco exige atenção máxima, não pânico.

Na sanidade, o exame negativo quase nunca vira manchete. Mas é ele, junto com barreiras ativas, propriedades desinfetadas e mercados reabertos, que devolve a normalidade à cadeia.

O vírus não pergunta em quem votamos e os compradores também não. Na política, sempre há outra eleição e na sanidade, é preciso chegar antes do próximo laudo.

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