Netanyahu diz que Israel controla 60% da Faixa de Gaza, mais do que o previsto em acordo de cessar-fogo
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que suas tropas controlam 60% da Faixa de Gaza, o que sugere que avançaram para uma zona do território palestino mais ampla do que previsto no plano de cessar-fogo de outubro. A Faixa de Gaza permanece mergulhada em violência, e os esforços para pôr fim à guerra parecem ter estagnado.
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— Houve quem dissesse: vão embora, vão embora! Não fomos. Hoje controlamos 60%; amanhã veremos — declarou Netanyahu em uma cerimônia por ocasião do Dia de Jerusalém.
Segundo os termos do cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o grupo palestino Hamas, em vigor desde outubro, as forças israelenses deveriam retirar-se até uma chamada "Linha Amarela" em Gaza, o que deixava sob seu controle mais de 50% do território palestino.
No entanto, vários meios de comunicação noticiaram recentemente o avanço das tropas em direção a uma nova "Linha Laranja". As declarações de Netanyahu parecem corroborar essa informação.
Em meio às tratativas políticas, fontes palestinas e organizações internacionais denunciam agressões reiteradas ao enclave, enquanto militares israelenses estabelecem novas bases e alteram a realidade no terreno — o que ativistas temem ser o indício de uma ocupação permanente.
Análises divulgadas em janeiro a partir de imagens de satélite apontam violações territoriais, tanto observando a localização dos blocos de concreto posicionados por Israel para servir como uma demarcação física da linha, quanto por meio da análise de zonas destruídas desde o cessar-fogo.
Uma das análises, realizada pela iniciativa BBC Verify, da rede britânica, indica que o Exército israelense posicionou um total de 16 blocos de concreto para demarcar a linha e posteriormente voltaram para alterar as posições em Beit Lahia, Jabalyia e al-Tuffah. A análise ainda aponta que cada bloco foi movido em média 300 metros para o interior da faixa.
Em outra averiguação, feita pelo jornal israelense Haaretz, com base em imagens do PlanetLab, observou-se a destruição de infraestrutura em áreas dentro e fora dos limites da linha amarela. As imagens mostram que tanto em Jabalyia quanto no bairro de Shujaiyeh, na Cidade de Gaza, áreas dentro e fora da área de atuação foram atingidas.
Cessar-fogo não interrompe mudanças no terreno
Arte/O GLOBO
Em resposta a um pedido de esclarecimento feito pela publicação israelense, as Forças Armadas de Israel (FDI, na sigla em inglês) disseram seguir o formato estabelecido pelo cessar-fogo e que as operações realizadas na Faixa de Gaza desde então respondem a ações de organizações que classificam como terroristas em Gaza, a quem culparam por "violar repetidamente" o acordo. Não houve menção à mudança de posição dos blocos de concreto ou sobre a destruição de construções dentro e fora da linha amarela. À BBC, as FDI rejeitaram as alegações de que estariam alterando a linha e que "atuavam de acordo com as condições no terreno e a avaliação operacional atualizada".
A primeira fase da trégua permitiu a libertação dos últimos reféns capturados nos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 em solo israelense, que desencadearam a guerra em Gaza, em troca de palestinos detidos por Israel.
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A segunda fase inclui o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, se o Hamas se recusar a desarmar-se, os militares podem retomar os combates.
Netanyahu tem insinuado repetidamente que Israel concluirá o trabalho se o movimento islâmico palestino não se desarmar. Mais de 850 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A ONU considera esses números confiáveis. Durante o mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de cinco soldados em Gaza.
(Com AFP)
