Netanyahu alega que eleição foi ‘roubada’ para favorecer os árabes

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Fonte da notícia: Valor Valor

O partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, alegou que as eleições desta semana foram “roubadas”, depois que um aumento sem precedentes da votação de árabes impediu que seu bloco eleitoral conquistasse uma vitória total. “As eleições em Israel foram roubadas!”, declarou o Likud, partido de Netanyahu, em um comunicado postado pelo primeiro-ministro no X.

O post acrescenta que “entidades estrangeiras” teriam tentado assumir o controle do Parlamento do país, a Knesset. A alegação, sem a apresentação de nenhuma prova, foi feita depois que o Shin Bet – o serviço de segurança interna de Israel, cujo chefe foi nomeado por Netanyahu – apresentou uma série de acusações ao presidente da comissão eleitoral, Noam Sohlberg, a quem cabe certificar a contagem oficial dos votos.

O teor completo das acusações do Shin Bet não foi divulgado publicamente. O presidente da comissão encaminhou as acusações de volta ao Shin Bet para que as investigue.

As alegações surgiram apesar de o chefe da agência ter afirmado, no dia da eleição, que não tinha preocupações quanto à integridade da votação. “Foram trazidas ao meu conhecimento suspeitas graves de influência indevida nas eleições por meio de financiamento estrangeiro”, escreveu Sohlberg em uma carta divulgada na quinta-feira (29).

Nesta quinta-feira, o diretor-geral interino do Comitê Central de Eleições, Dean Livne, também rejeitou as alegações de fraude generalizada na eleição, classificando-as como infundadas. Representantes dos partidos árabes também negaram as acusações.

“Não houve violações na eleição e as alegações do Likud não passam de conversa de maus perdedores”, disse Ahmad Tibi, do bloco parlamentar Lista Conjunta, à Al Jazeera. Com a maior parte dos votos já apurada, a projeção é de que os partidos árabes conquistem até 19 assentos, um recorde.

Enquanto isso, o bloco de Netanyahu deve ter 53 cadeiras e o bloco opositor 48. Isso tornaria impossível para o bloco de Netanyahu ou para o de seu rival, Gadi Eisenkot, alcançar a maioria absoluta na Knesset, que tem 120 cadeiras.

As acusações sobre a validade dos votos dos partidos árabes podem complicar qualquer tentativa dos oponentes judeus de Netanyahu de trabalhar com essas legendas para tirá-lo do poder. Essas alegações surgiram na esteira de uma ofensiva de Netanyahu para demonizar eleitores e partidos árabes durante a campanha eleitoral.

Aliados de Netanyahu na coalizão, como seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmaram, sem apresentar provas, que dinheiro estrangeiro influenciou a população palestina de Israel a votar em níveis recordes, e responsabilizaram o Catar por isso. O Catar tornou-se um bode expiatório recorrente dos aliados de Netanyahu, que tentam transferir para a rica monarquia do Golfo a culpa pelo fracasso do governo em impedir os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

O Catar classificou as acusações como “ridículas e perigosas na mesma medida”. Palestinos com nacionalidade israelense – que na maioria descendem daqueles que se recusaram a abandonar suas casas durante a guerra de 1948 que criou o Estado judeu – são um quinto da população do país.

Sua participação nas eleições desta semana disparou depois que eles se tornaram alvos frequentes de Netanyahu e de sua coalizão de extrema direita. Os cidadãos palestinos de Israel também estão revoltados com as ações do exército israelense contra seus compatriotas palestinos na Cisjordânia ocupada e em Gaza.

E eles estão indignados com o fato de que o aumento vertiginoso da criminalidade em seus bairros não é combatido de maneira eficaz pela força policial, que se reporta a Ben-Gvir. Eisenkot, ele mesmo ambivalente quanto a trabalhar com os partidos árabes, disse que apoia uma investigação sobre as acusações.

Mas advertiu que não se pode permitir que Netanyahu explore “informações – que ainda não foram investigadas e cujos detalhes e a extensão das suspeitas que levantam não estão claros – para contestar os resultados oficiais” das eleições. “Netanyahu está orquestrando uma operação de influência ilícita que tem como alvo o público israelense...

com o objetivo de retardar a divulgação oportuna dos resultados eleitorais e fabricar uma deslegitimação fictícia das operações do 26º Knesset”, disse ele. No dia das eleições, o chefe do Shin Bet, David Zini, declarou aos meios de comunicação israelenses: “Podemos assegurar aos cidadãos israelenses que as eleições em Israel são seguras, conduzidas de forma adequada e sob supervisão”.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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