Nem toda facilidade representa uma oportunidade: a lição de Diego Souza

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O episódio envolvendo o treinador do Joinville, Diego Souza, reforça a importância de desconfiar de caminhos aparentemente fáceis na construção de uma carreira profissional. O treinador vai recorrer

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. A punição aplicada pelo TJD-SC (Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina) de um ano e R$ 20 mil aplicada a Diego Souza, treinador do Joinville, por uso de diploma falso, em que cabe recurso, não pode ser tratada com o vitimismo que alguns tentam construir em torno do episódio.

O caso, no mínimo, deixa reflexões. O argentino Alejandro Mancuso, ex-jogador de Palmeiras e Flamengo entre outros, aparece no centro dessa história, em apuração na jornalista Joanna de Assis, do UOL, e, diante dos questionamentos que vieram a público, sua atuação na oferta de facilidades para a obtenção de diplomas merece ser examinada com rigor.

A possibilidade de conseguir uma certificação sem cumprir cursos ou etapas normalmente exigidos já levantava dúvidas. São pontos que precisam ser esclarecidos pelas instâncias competentes, sem transformar suspeitas em conclusões antes da apuração.

Isso não elimina a responsabilidade de quem recebe uma oferta desse tipo. Diego Souza afirma ter sido ludibriado.

É uma alegação que deve ser considerada, mas não encerra a discussão. Quem ocupa uma função de comando no futebol precisa ter atenção com os documentos que apresenta e com a origem das qualificações que utiliza.

Não basta receber um certificado e acreditar que ele está automaticamente regular. Mesmo que quem supostamente ludibria, seja muito bom no que faz.

Quando a proposta parece simples demais ou vantajosa demais, o mínimo esperado é fazer perguntas. Conferir a instituição, buscar informações sobre a entidade certificadora e confirmar se as exigências foram cumpridas são cuidados básicos.

A responsabilidade por uma credencial também passa por quem decide utilizá-la. Se Diego foi enganado, como sustenta, é justo que busque os esclarecimentos para apresentar sua versão.

Mas a boa-fé alegada não apaga automaticamente as consequências de uma irregularidade identificada no processo. No futebol, como em qualquer profissão, a confiança é construída ao longo do tempo e pode ser comprometida por decisões que parecem atalhos inofensivos.

A discussão não deveria servir para linchamento pessoal, o que é injusto, em profissional que também foi vítima, por óbvio. Mas, tampouco serve para transformar o treinador em vítima de todas as circunstâncias.

Há responsabilidades que precisam ser apuradas, e cada envolvido deve responder por aquilo que efetivamente lhe couber. O episódio oferece uma lição: diploma não é detalhe, formação não é formalidade e atalho não substitui preparação.

A sanção precisa ser cumprida nos termos da decisão, se mantida pós recurso. Depois dela, caberá a Diego reconstruir a confiança e demonstrar, com atitudes, que aprendeu com o episódio.

Fica um alerta para outros profissionais do esporte: antes de aceitar facilidades, vale desconfiar, conferir e perguntar. Afinal, não existe almoço grátis.

Uma oportunidade que parece boa demais pode cobrar um preço alto. A punição tem prazo; a responsabilidade e o aprendizado devem permanecer.

Em seu depoimento no julgamento no TJD-SC, Diego Souza afirmou sentir-se envergonhado com a situação e disse que acreditava na autenticidade do documento que apresentou. Relatou que, ao desconfiar de que poderia ter sido vítima de um golpe, encaminhou um e-mail à CBF comunicando o ocorrido.

Também admitiu que não participou de aulas ou cursos para obter a certificação, que teria sido intermediada pelo ex-jogador Alejandro Mancuso. A defesa do treinador pretende recorrer da decisão unânime (3 a 0) ao Pleno do TJD-SC e, posteriormente, ao STJD.

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