Índice de atividade do BC cai novamente a reforça semestre mais fraco

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Fonte da notícia: Valor Valor

A prévia do PIB divulgada pelo Banco Central voltou a enfraquecer em julho, reforçando as apostas dos economistas por uma atividade sem brilho no segundo semestre. O Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) apontou queda de 0,22% no primeiro mês do segundo semestre, em linha com a mediana das projeções colhidas pelo Valor Data. Houve revisão do dado de junho, que saiu de -0,64% para -0,88%.

Em relação a julho do ano passado, por sua vez, IBC-Br teve alta de 1,1%, ligeiramente acima do ponto médio das estimativas coletadas pelo Valor Data, que apontava alta de 1,0%.

Nas aberturas setoriais, destaque para a contração de 1,15% do IBC-Br Agropecuária. O IBC-Br Indústria teve queda de 0,39%, o IBC-Br Serviços ficou praticamente estável (-0,01%) e o IBC-Br Impostos cedeu 0,16%. Desta forma, o IBC-Br Ex-agro, recuou 0,13%.

Segundo o economista Caio Napoleão, da 4intelligence, o IBC-Br havia emendado uma sequência de altas de novembro a maio, quando alcançou a máxima da série histórica. Desde então, as duas baixas observadas em junho e julho devolveram o indicador ao menor patamar desde dezembro.

"O resultado reforça a percepção de esfriamento da atividade na virada do primeiro para o segundo semestre, como o próprio PIB do 2tri sinalizou - apesar do bom número - alta de 0,5% -, a abertura revelou que os setores cíclicos registraram desaceleração importante. É algo que aparece nos dados do BC também: o desempenho do IBC-Br ex-agro é praticamente o mesmo do indicador cheio, o que sinaliza que a direção e magnitude foi dada pelos setores cíclicos", explica.

A Somma Investimento também destaca o esfriamento da atividade econômica nas "nas mais diferentes métricas". "A média móvel trimestral passou de -0,1% para -0,3%, a anual caiu de 2,4% para 1,1% e o acumulado em 12 meses, de 1,50% para 1,48%. Ou seja, já aqui é possível afirmar, com boa margem de segurança, que o processo de perda de força da atividade econômica teve continuidade ao iniciar-se o terceiro trimestre", diz a gestora em comentário a clientes.

Olhando adiante, continua a casa, os dados mostram comportamento sem direção única, o que é comum em situações em que a atividade desacelera, mas sem colapsar.

"Não enxergamos gatilhos favoráveis para a atividade econômica ao longo do segundo semestre. Pelo contrário: a política monetária seguirá bastante rígida, as condições financeiras provavelmente continuarão apertadas, a inadimplência e o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas deverão seguir piorando, o ciclo eleitoral deverá promover algum engavetamento de projetos de investimentos no aguardo de uma maior clareza sobre qual será a pauta econômica do governo eleito e o mercado de trabalho continuará revelando paulatina moderação", diz a Somma, que projeta alta de 1,8% do PIB este ano, com leve viés de baixa.

Embora a leitura de julho tenha sido negativa, o carrego estatístico - o que se espera caso o restante do ano opere na estabilidade - deixado para 2026 pouco se moveu, passando de 1,32% em junho para 1,31% em julho, nos cálculos da Buysidebrazil.

“O resultado reforça a perspectiva de desaceleração da atividade no segundo semestre, em um ambiente ainda marcado por condições monetárias restritivas e mercado de trabalho próximo do limite”, diz o comentário assinado por Rodolpho Sartori.

Na 4intelligence, o resultado de julho levou a uma ligeira revisão para a projeção do IBC-Br no ano, que passou de 1,8% para 1,5% - a projeção para o PIB divulgado pelo IBGE segue em 1,8%. "O desempenho abaixo do PIB deve decorrer dos resultados interanuais registrados nos dois primeiros trimestres, inferiores ao indicador do IBGE", explica Napoleão.

Pixabay

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