Ao longo da história, muitos navios militares desativados foram sucateados ou abandonados. No entanto, o HMS Scylla (F71), um navio de guerra britânico, teve um destino completamente diferente.
Após navegar por mais de duas décadas, foi desativado em 1993 e, onze anos depois, afundado intencionalmente no Oceano Atlântico. Construção e carreira militar
Sua história começou em 1966, quando o Almirantado Britânico encomendou a construção de uma nova fragata da classe Leander para a Marinha Real Britânica. Os trabalhos começaram em 17 de maio de 1967, no estaleiro naval real de Devonport, em Plymouth, na Inglaterra.
No entanto, a embarcação só entrou em serviço em 14 de fevereiro de 1970, dando início a uma carreira militar que duraria 24 anos. O navio tinha 113,4 metros de comprimento, deslocamento de até 3.200 toneladas e podia atingir uma velocidade de aproximadamente 52 quilômetros por hora.
Além disso, possuía autonomia de até 8.500 quilômetros, características que lhe permitiam realizar operações prolongadas e viajar para diferentes regiões do mundo. Durante as décadas seguintes, o HMS Scylla participou de diversas missões da Marinha Real Britânica.
Ao longo de sua carreira, sofreu danos, passou por inúmeros reparos e recebeu modificações para manter sua prontidão operacional. No entanto, o avanço da tecnologia militar e a introdução de embarcações mais modernas marcaram o fim de sua vida útil.
Em dezembro de 1993, foi desativado após mais de duas décadas de serviço. Transformação em recife artificial
Embora parecesse destinado a ser preservado em um museu naval, por ser considerado o navio mais antigo da Europa, o HMS Scylla teve outro destino. Em 2004, o Aquário Marinho Nacional de Plymouth adquiriu a embarcação por aproximadamente £ 200 mil para convertê-la em um recife artificial.
Para realizar o projeto, o navio foi preparado para um afundamento controlado e transportado para as proximidades de Whitsand Bay, na Cornualha, sudoeste da Inglaterra. Finalmente, em 27 de março de 2004, o HMS Scylla foi afundado intencionalmente.
A operação permitiu que o navio se acomodasse no fundo do Oceano Atlântico, a uma profundidade de aproximadamente 24 metros. Os primeiros resultados começaram a aparecer rapidamente.
Apenas três meses após o afundamento, diversas áreas já haviam sido colonizadas por anêmonas-do-mar, mexilhões e vieiras. Com o tempo, ouriços-do-mar e estrelas-do-mar também começaram a surgir.
Em 2021, os registros do projeto indicavam que o recife artificial abrigava mais de 250 espécies.
O Globo