Arqueólogos descobriram que as paredes de um castelo medieval considerado perdido há séculos estavam preservadas dentro de um edifício da University College Dublin (UCD), na Irlanda. Os vestígios do Castelo de Roebuck, uma antiga fortaleza normanda construída em uma das rotas de acesso à Dublin medieval, foram identificados pelo professor Tadhg O’Keeffe, especialista em história da arquitetura medieval da Escola de Arqueologia da universidade.
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A descoberta ocorreu quando O’Keeffe analisou as paredes e outras características arquitetônicas escondidas sob o reboco do atual Roebuck Castle, e divulgada no fim de setembro. Embora o prédio tenha aparência externa predominantemente vitoriana, partes da construção medieval permanecem preservadas em seu interior.
— Por fora, o edifício atual parece ser inteiramente vitoriano. Por dentro, porém, as paredes do antigo castelo estão preservadas — afirmou O’Keeffe.
Segundo a pesquisa, publicada na revista Archaeology Ireland, as partes mais antigas da construção remontam ao início do século 13. Isso significa que o Castelo de Roebuck pode ser o edifício mais antigo ainda de pé em um campus universitário da Irlanda.
O prédio da Universidade de Dublin, que abriga as ruínas de castelo medieval Divulgação / University College Dublin (UCD)
O pesquisador acredita que a preservação foi possível porque as pessoas que modernizaram a propriedade nos períodos georgiano e vitoriano construíram ao redor das estruturas medievais, em vez de destruí-las. Até mesmo o pátio nos fundos do atual edifício corresponde ao antigo pátio do castelo.
— Somos incrivelmente sortudos por os modernizadores georgianos e vitorianos da propriedade simplesmente terem construído ao redor do castelo medieval, em vez de derrubá-lo. Também tivemos sorte porque eles construíram muito pouco no restante do terreno — disse o professor.
Fontes históricas indicam que o castelo pode ter sido construído ainda dentro da memória das pessoas que viveram a invasão normanda da Irlanda, iniciada em 1169. A construção passou por diferentes alterações ao longo da Idade Média e teve entre seus ocupantes um Lord High Chancellor, importante autoridade do reino da Irlanda.
Um dos lados do prédio da Universidade de Dublin, com a arquitetura do Castelo de Roebuck projetada Divulgação / University College Dublin (UCD)
Há também uma tradição segundo a qual James II, então rei deposto da Inglaterra e da Irlanda, e James VII na Escócia, teria permanecido no local em 1689, depois de perder o trono. No século 13, o castelo havia entrado em ruínas e acreditava-se que suas estruturas tinham sido completamente removidas durante as transformações posteriores do terreno.
Uma das pistas de que parte da construção havia sobrevivido, porém, estava em registros feitos pelo artista Gabriel Beranger, que visitou as ruínas por volta de 1765 e produziu uma série de aquarelas. — As representações de Beranger das ruínas do castelo são realmente fascinantes.
Ele registrou a forma básica do edifício, como seria esperado, mas também captou alguns daqueles pequenos detalhes que são as pistas necessárias para entender a história estrutural da construção — explicou O’Keeffe. A descoberta é considerada relevante porque poucos castelos medievais sobreviveram no sul de Dublin.
Muitos foram demolidos a partir do século 17, e suas pedras acabaram reutilizadas na construção de residências consideradas mais confortáveis. — A passagem do tempo foi cruel com os castelos construídos no sul de Dublin durante a Idade Média.
Edifícios perdidos são registros históricos perdidos. Eles deixam lacunas em nosso conhecimento — afirmou O’Keeffe.
Com a identificação das estruturas preservadas, o Castelo de Roebuck deixa de ser considerado apenas uma construção desaparecida e passa a integrar novamente a história arquitetônica medieval de Dublin. — É maravilhoso poder receber de volta o castelo medieval de Roebuck e saber que ele não ficará perdido novamente — concluiu o professor.
O Globo