A moreia-gigante é um peixe predador, temido da superfície ao fundo do mar. Oculta pelas rochas e corais, usa a discrição, paciência e precisão para surpreender as presas, o que inclui até pequenos tubarões. Com esta espécie escolhida como mascote estampada em sua estrutura, o submarino Almirante Karam (S43) mergulhou pela primeira vez, durante um teste de estanqueidade, na sexta-feira (25), na Baía de Sepetiba, litoral do Rio de Janeiro. O quarto exemplar da classe Riachuelo passará por outras avaliações técnicas até ser integrado à Marinha, no segundo semestre de 2027.
— Podemos dizer que nasceu um submarino. É o principal evento que difere realmente entre o meio de superfície e um submarino: a imersão estática. Ela garante que todo o projeto, toda a construção, esteja em conformidade para que o navio consiga chegar ao fundo do mar em segurança. É um teste que destrava todos os demais — disse o capitão de fragata Leandro Amaral, comandante da tripulação de 35 militares. Na sala de comando, o capitão de fragata Leandro Amaral acompanha os preparativos para o prmeiro mergulho do Almirante Karam Élcio Braga Dois rebocadores conduziram o Almirante Karam, que não utilizou a propulsão diesel-elétrica, entre o Complexo Naval de Itaguai, na Ilha da Madeira, até o fundeadouro da Marinha, localizado a sete quilômetros, em frente a uma pequena ilha, nas proximidades da Ilha de Itacuruça. A profundidade no local é de 30 metros.
— Existe um círculo de segurança estabelecido para esse teste de 250 metros de afastamento. Um navio lá em cima garante que nenhuma embarcação de recreio, moto aquática, lancha de recreio ou barco de pesca se aproxime desse círculo de segurança — explicou José de Andrade Silva Neto, gerente de projetos de submarinos da Itaguaí Construções Navais.
Por volta das 11h, o Almirante Karam iniciou o teste, acompanhado por jornalistas e técnicos dentro da sala de comando. Para a imersão estática, os tanques de lastros no submarino foram abertos. Com o peso da água, o Karam desceu lentamente até a profundidade prevista no teste.
— Submarino Almirante Karan, falando o comandante: submarino na cota de 14,5 metros em segurança. Imersão estática realizada com sucesso. Parabéns a todos! Bravo Zulu, Almirante Karam, aço que protege. Superfície, superfície — disse o capitão de fragata Leandro Amaral pelo rádio, determinando o retorno à base de Itaguaí. Para emergir, o processo é o inverso. Os tanques recebem simultaneamente injeção de ar comprimido. A água é expulsa dos compartimentos, o que deixa o submarino mais leve e capaz de flutuar. Com o teste, engenheiros estimam como o submarino flutua, inclina e reage às mudanças na distribuição de peso. Esses cálculos consideram o peso do casco, dos equipamentos, das baterias, tanques e demais sistemas instalados, bem como sua distribuição a bordo.
O próximo desafio será navegar submerso. O Almirante Karam passará por avaliações progressivamente mais complexas, envolvendo a navegação na superfície, a imersão dinâmica e os testes de desempenho de seus principais sistemas. O nome é uma homenagem ao almirante-de-esquadra Alfredo Karam, que chegou a comandar a Força de Submarinos até 1975. Karam chegou a ser ministro da Marinha no último ano do governo João Figueiredo. Era pai do ator Guilherme Karam, um dos expoentes do programa TV Pirata, sucesso da TV Globo. O submarino Almirante Karam emerge de seu primeiro mergulho na Baía de Sepetiba Agência da Marinha O Almirante Karam foi construído pela Itaguaí Construções Navais, no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), fruto de parceria entre Brasil e França. O acordo envolve a transferência de tecnologia, formação de profissionais e desenvolvimento de infraestrutura especializada. Já foram entregues à Marinha os submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42). Segundo a Marinha, o Karam amplia a capacidade de proteção da chamada Amazônia Azul, que abrange toda a área de águas jurisdicionais brasileiras.
O Globo