‘Não vamos bater em petista, nem vamos falar mal de Lula’

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Fonte da notícia: Valor Valor

Marçal: ex-candidato à Prefeitura de São Paulo coordena as ações do presidenciável do PL nas redes sociais Niyi Fote/Thenews2/Agência O Globo A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem priorizado a organização de uma ofensiva nas redes sociais em apoio à sua candidatura, coordenada pelo ex-coach e empresário Pablo Marçal, e a preparação para o debate da TV Globo nesta reta final do segundo turno. A menos de uma semana para os brasileiros irem às urnas, o bolsonarista terá pelo menos três dias sem agendas públicas. Na terça-feira (20), Flávio participou de um encontro com influenciadores da direita e do campo conservador, além de empresários ligados ao meio digital, com o objetivo de gravar conteúdos e organizar uma série de publicações a serem feitas dias antes da ida ao pleito. O movimento acontece em meio a uma estratégia de reforçar o uso das redes colocada em prática pela campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem como um dos principais articuladores o deputado André Janones (Rede-MG). Esse foi o primeiro dia, de três, sem agendas públicas do candidato. Na quinta (22) e sexta-feira (23), Flávio também deve ter reuniões fechadas com a sua equipe para treinar para o debate da TV Globo. O confronto acontecerá na noite de sexta. A reunião de terça de manhã foi liderada por Marçal e teve a participação da porta-voz do plano econômico do presidenciável do PL, Daniella Marques, além dos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e da deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP). Também estavam presentes o empresário Tallis Gomes, o pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, e o ator Arthur Aguiar. O evento, que não apareceu na agenda pública do candidato e foi realizado em uma arena ligada a Marçal, teve cerca de 300 influenciadores, muitos dos quais gravaram vídeos com o presidenciável. Flávio chegou por lá por volta das 12h, após a maioria dos discursos já terem sido feitos, com o propósito de gravar com os produtores de conteúdo. Estratégia do PL é orquestrar uma “onda” de publicações da direita nas redes sociais A maioria dos presentes utilizava camiseta da Seleção Brasileira de futebol, roupas das cores da bandeira do Brasil e outros símbolos ligados ao bolsonarismo, como blusas com escritos de “Fora Lula”. No local, também foram distribuídos chinelos apelidados de “Pé direito”, em alusão a uma propaganda da Havaianas que foi criticada pelos setores mais conservadores, na qual a atriz Fernanda Torres fazia uma brincadeira com o ditado popular de entrar no ano novo com o “pé direito”. Em fala aos influenciadores presentes, Marçal orientou que os conteúdos produzidos não fossem publicados naquela mesma hora e, sim, quatro dias antes do segundo turno, na próxima quinta-feira (22). A estratégia é gerar uma “onda” de publicações nas redes no momento em que os organizadores da ofensiva orientarem que as postagens devem ser realizadas. De acordo com participantes, na parte do evento que foi fechada à imprensa, os produtores de conteúdo foram orientados a fazer publicações com teor propositivo e leve, sem críticas ou agressividade em relação ao PT, para impactar aqueles que estão desmotivados a sair de casa para votar no domingo (25). Esse direcionamento vai na mesma linha que expressou o coordenador, senador Rogério Marinho (PL-RN), na segunda-feira (19) à GloboNews, ao dizer que a estratégia da campanha nesta reta final seria “falar às pessoas a respeito dos problemas que elas estão enfrentando”. Os presentes, inclusive, foram instruídos a não explorar mais a esperança e, sim, o “medo” nos eleitores de um eventual novo governo do PT. Houve ainda a instrução para que eles não abordem assuntos que estão sendo explorados pela campanha de Lula para desgastar Flávio, como o desafio do presidente da República para que Flávio abra os sigilos fiscal e telefônico dele e a realização de potenciais mudanças no Bolsa Família em uma eventual gestão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nós não vamos bater em petista. A partir do marco zero, nós não falaremos mal de Lula. Eu não vou mais tocar no nome dele em quatro dias”, afirmou o influenciador. “Não tem como converter petista que é roxo, mas uma pessoa que está magoada com uma fala do Bolsonaro vai mudar o voto.” Na tarde de terça-feira, Flávio Bolsonaro foi a uma fazenda em Goiânia para realizar gravações com cantores sertanejos. O encontro, que também não foi aberto ao público, contou com a presença de Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo e Marrone, que faz dupla com Bruno. Aliados políticos da direita também estiveram presentes. Outra aposta da campanha bolsonarista para aumentar a influência do presidenciável no meio digital é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Na terça, ele publicou um vídeo nas redes sociais com foco no Nordeste. A peça, que inicia no formato tradicional de seus vídeos, com fundo preto, é transportada para um cenário que busca retratar uma imagem de pobreza da região, com uma casa de tijolos aparentes ao fundo e uma cadeira de onde vários personagens falam das dificuldades e da decepção com o governo Lula. O foco na região em um dos perfis de maior alcance na direita brasileira evidencia a estratégia de buscar votos em Estados tradicionalmente lulistas. Ao final, o vídeo afirma que Lula nasceu em Pernambuco, mas o Nordeste permanece a região mais pobre do país. O vídeo também enfatiza que “O Nordeste foi esquecido” e reforça a pauta da segurança pública. No canal “Tropa do Flávio” a orientação dada aos apoiadores foi a de “explodir" o vídeo. O comando era para que os apoiadores republicassem, postassem nos stories, compartilhassem o vídeo em grupos de WhatsApp.

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