'Não é só curiosidade histórica, é sobre reparação e direitos humanos', diz jornalista sobre poupanças de escravizados
Muitas perguntas passaram pela cabeça de Marcelo Remigio ao ler sobre a descoberta de 158 contas abertas na Caixa por pessoas escravizadas no século XIX. O destino do dinheiro, a existência de herdeiros e a possibilidade de reparação foram algumas delas. No vídeo abaixo, ele conta a busca por especialistas que ajudassem a entender melhor o contexto e dar à reportagem a dimensão humana que ela merecia.
Os bastidores da reportagem sobre as contas de escravizados encontradas na Caixa
Os milhares de documentos guardados há mais de 150 anos ainda estão à espera de tratamento arquivístico, segundo o Ministério Público Federal, que iniciou a investigação sobre a existência das contas.
— Estamos falando de pessoas escravizadas tentando juntar recursos para comprar a própria liberdade. A reportagem corria o risco de virar só uma curiosidade histórica. E não é. Ela fala sobre ausência de reparação e sobre direitos humanos — diz Remigio. — Muitas vezes, o jornalismo vira uma forma de pressionar e preservar a memória de casos que poderiam desaparecer.
Vendedores de carvão. Obra de Jean-Baptiste Debret
Reprodução
Mais do que revelar uma descoberta nos arquivos da Caixa, a ideia era mostrar, conta Remigio, por que essa história importa, e muito, nos dias de hoje.
— Vamos seguir acompanhando o caso, porque ainda há muitas respostas a serem dadas — diz o jornalista. — Não sabemos se o dinheiro foi sacado. E, caso ele exista, se é possível que seja entregue a descendentes desses escravizados.
