'Não é para nós': Líder militar de Burkina Faso diz que país deve esquecer a democracia
Em entrevista transmitida pela TV estatal de Burkina Faso, o capitão Ibrahim Traoré, líder militar que tomou o poder através de um golpe de estado há três anos, disse que o seu povo deveria "esquecer a democracia", que o regime democrático "mata" e que "não é para nós".
Quando tomou o poder depois em um contragolpe, a promessa era de que o regime democrático seria retomado até julho de 2024. No entanto, essa possibilidade foi descartada por uma junta que anunciou que seu governo seria estendido por mais 5 anos, na ocasião. Quando tornou-se presidente, o anúncio também foi feito pela televisão.
"As pessoas precisam esquecer a questão da democracia. A democracia não é para nós", disse ele, em entrevista feita na noite da última quinta-feira (2).
O país vive uma uma escalada autoritária nos últimos meses. Em janeiro deste ano, as autoridades locais proibiram todos os partidos políticos como parte de um plano para "reconstruir o Estado", segundo a BBC. Ele afirmou que os partidos são "divisivos", "perigosos" e "incompatíveis com a proteção revolucionária".
Nesta última entrevista, Traoré ainda comparou o país da África Ocidental à Líbia, no norte do continente, que foi governado por quatro décadas pelo coronel Muammar Gaddafi. Desde a morte do militar, em 2011, a Líbia não conseguiu realizar eleições e segue dividido entre duas administrações rivais, em meio a vários grupos armados.
O Capitão Traoré tem 38 anos e se diz um líder revolucionário que se opõe ao imperialismo ocidental. Ele afirmou que o sistema que sua junta construiu é baseado na soberania, no patriotismo e na mobilização revolucionária, com líderes tradicionais que dão centralidade às estruturas populares.
"Temos nossa própria abordagem. Não estamos tentando copiar ninguém", explicou, sem dar maiores detalhes sobre o regime que terá o país.
