Na siderurgia, IA apoia linha de produção e reduz retrabalho

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André Lacerda, da Vallourec: IA aplicada a desafios concretos da operação Divulgação

Há pouco mais de um ano, a Usiminas criou um comitê multiáreas e um programa com 16 embaixadores de inteligência artificial (IA) treinados em diferentes ferramentas para fomentar o entendimento da sua aplicação na siderúrgica. Essa iniciativa somada ao InovaAÍ, hub de inovação vinculado à diretoria de tecnologia da informação e inovação, levou a projetos de aplicação de novas tecnologias.

“Hoje, o grande desafio é como priorizamos, porque temos um banco de mais de 500 ideias e projetos com IA e 200 projetos envolvendo soluções de IA; não todos dependentes de TI”, pondera Fernando Carrizo, diretor-sênior de TI e inovação na Usiminas. Os exemplos incluem o uso de câmeras com inteligência artificial e visão computacional na linha CGL1, responsável pela produção de aço galvanizado por imersão a quente (HDG) na Unigal Usiminas, que monitoram continuamente o desgaste do conjunto mecânico do rolo submerso e foram responsáveis por aumentar em três dias a vida útil e reduzir as paradas de produção para troca do conjunto.

Na CGL2, a identificação de defeitos após o processo de revestimento de zinco era limitada pela capacidade de percepção visual dos operadores. Câmeras e IA passaram a monitorar continuamente a tira, identificando os defeitos, classificando sua intensidade e permitindo maior agilidade na correção.

Com isso, a Usiminas obteve 38% de redução no retrabalho e reduziu em 16% os desvios de qualidade. “A adoção de IA em uma indústria como a nossa leva tempo; nós conseguimos evoluir rapidamente, avançar com casos de uso, mas precisa de letramento, parametrizar a estrutura, fazer mudanças que consigam ser mantidas no tempo”, analisa Carrizo.

A Vallourec trabalha com inteligência artificial dentro da jornada de digitalização industrial há dez anos. A partir de 2023, com a evolução da IA generativa, estruturou a comunidade global VallAI e, no ano seguinte, concentrou os esforços em treinamento e conscientização.

Em 2025, lançou globalmente o VallAI Hackathon, selecionando oito projetos entre 66 ideias apresentadas. Em 2026, o foco está na consolidação da governança global e na estruturação de produtos digitais.

O próximo passo, previsto para 2027, é ampliar a escala dessas iniciativas e fortalecer o modelo de self-service AI, dando mais autonomia aos funcionários. A IA está em diferentes etapas dos processos de manufatura, manutenção e segurança industrial.

“O que esses projetos têm em comum é a aplicação da tecnologia a desafios concretos da operação, com o objetivo de aumentar a qualidade, produtividade, segurança e a eficiência dos processos”, diz André Lacerda, presidente da Vallourec para a América do Sul. No projeto de IA para controle da rinsagem na desgaseificação a vácuo, em Jeceaba (MG), os benefícios observados incluem um retorno anual superior a 500% sobre o investimento realizado e redução dos custos de não qualidade do aço, do sucateamento e da reclassificação de produtos.

No Storm, solução baseada em visão computacional e deep learning para classificação de sucata, os resultados estão relacionados à melhoria da qualidade da matéria-prima, à redução de erros de classificação, à melhor homogeneização das cargas e a ganhos de produtividade no forno elétrico a arco.

As aplicações mais maduras de IA na siderurgia estão na manutenção preditiva de equipamentos, otimização de processos produtivos, inspeção automatizada por visão computacional, planejamento operacional e gestão do consumo energético. “Vem ganhando relevância o chamado smart safety, que combina IA, sensores, visão computacional e análise em tempo real para reduzir riscos e fortalecer a segurança operacional nas plantas industriais”, diz Patrícia Muricy, sócia-líder para a indústria de energia, recursos naturais e industriais da Deloitte.

Mais recentemente, gêmeos digitais, assistentes virtuais e agentes de IA passaram a apoiar operadores e equipes de manutenção na tomada de decisão. “No entanto, o sucesso dessas iniciativas depende de uma governança adequada, mantendo o conceito de human in the loop, em que decisões críticas continuam sob supervisão humana”, pondera Muricy.

“Por que a empresa precisa usar inteligência artificial? Porque na estratégia corporativa tenho dois grandes objetivos atingidos: sobrevivência e o sucesso. A inovação - e por consequência a IA - garante a aceleração e a potencialização dessa sobrevivência e desse sucesso”, explica Henrique Pereira, gerente de inovação e excelência operacional do Grupo Aço Cearense, do qual a Sinobras faz parte.

Pereira cita o uso de inteligência artificial para determinar a temperatura ideal que o forno deve atingir para a carbonização de determinados tipos de eucaliptos, tornando o processo mais eficiente e rápido e reduzindo o erro humano. A IA também está na classificação de sucata, que utiliza tecnologia de visão computacional e redes neurais para identificar impurezas que não são sucata metálica (como borracha, areia, plástico e concreto) em cargas recebidas, evitando o pagamento de sucata impura, gerando redução de custos diretos por meio de descontos apropriados e eliminando o viés de avaliação humana.

Para Pereira, inteligência artificial se tornou uma commodity tecnológica, e a verdadeira vantagem competitiva não é apenas ter acesso à tecnologia, mas, sim, a capacidade de usá-la e potencializá-la para gerar valor com qualidade, velocidade, perenidade e sustentabilidade.

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