Já passava da meia noite quando o presidente Lula (PT), reeleito na noite deste domingo para um inédito quarto mandato, chegou a uma Avenida Paulista lotada. Na primeira fala, ele beijou a primeira-dama, Janja da Silva, e destacou a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do deputado federal André Janones (Rede) ao longo do segundo turno.
— Essa vitória não é minha nem do Alckmin, essa vitória é de vocês. E essa vitória não é uma vitória de homem, é de homem e de mulheres, e para mostrar que as mulheres são parte viva dessa vitória, eu convido o Alckmin e eu a beijar as nossas mulheres — disse o presidente antes de dar um beijo em Janja da Silva, a primeira-dama e dirigir-se a uma paulista lotada dizendo "eu amo vocês".
Com a voz rouca, Lula deu um discurso breve, disse que embarcaria para Brasília ainda nesta madrugada porque "tem muitas coisas para fazer". Então passou a palavra ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que repetiu os agradecimentos que já havia feito no discurso no hotel em que a dupla de recém-reeleitos acompanhou a apuração: creditou a vitória à juventude e aos idosos.
— Presidente Lula salvou a democracia no Brasil duas vezes, por isso, presidente, conte conosco, nosso respeito, nossa admiração para trabalharmos juntos e estarmos a altura da confiança do povo. Parabéns presidente, Lula.
Parabéns, Brasil, viva a democracia! — bradou o vice-presidente. Foi com gritos de "Janones, Janones", que Lula então chamou ao trio o seu "general", o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal no WhatsApp Exército do Lula, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas.
— O nosso exército é o exército da dignidade, da democracia, da educação e da saúde — disse o presidente. passava da meia noite quando o presidente Lula (PT), reeleito na noite deste domingo para um inédito quarto mandato, chegou a uma Avenida Paulista lotada.
Janones convocou seus "soldados" a dar a Lula "90% de aprovação" ao governo Lula 4. — Eles esqueceram que do lado de cá estava o maior líder popular da historia desse país, Luiz Inácio Lula da Silva.
Explode! Lula, guerreiro, do povo brasileiro — entoou o deputado mineiro, para um coro de milhares que tomou o principal cartão-postal de São Paulo de camisetas vermelhas. Lula fez uma série de promessas, como o Pé‐de-Meia universitário, a universalização da escola em tempo integral, o investimento em inteligência artificial em âmbito nacional, e a formação de engenheiros e matemáticos.
O chefe do Executivo nacional também prometeu maior participação popular, dizendo que vai se comunicar por meio do "exército do Lula" com seus eleitores: — Eu quero que vocês saibam que esse país, neste quarto mandato, terá a participação de vocês nas minhas decisões.
Eu aprendi, nesse segundo turno, a grande lição da minha vida: quando um governante não sabe o que fazer, ele pergunta ao seu povo, que vai lhe ensinar o que ele tem que fazer — disse. Lula voltou a agradecer às mulheres, aos jovens, aos idosos, aos trabalhadores e aos educadores que o ajudaram a se eleger.
Assim como fez no ato do último sábado (24) — uma caminhada na mesma Paulista que marcou seu último evento público de campanha — ele pediu para tocar o Hino da Independência e afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". — Cada coisa que eu faço, eu faço pensando em vocês.
E vocês me deram a primazia de ser o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro.
Por isso, eu quero agradecer a cada homem, a cada mulher — acrescentou o petista. Lula ainda deu recados a seus adversários políticos: falou que o governador do Piauí reeleito, Rafael Fonteles, "enterrou o (senador) Ciro Nogueira no Piauí".
Depois, exaltou o Nordeste, no que foi acompanhado com gritos de "viva o Nordeste". E ainda comemorou o crescimento na votação em todo o país, "até em Santa Catarina".
— Democracia sempre, ditadura nunca mais. Democracia sempre, fascismo, nunca mais — finalizou o presidente.
O petista volta para Brasília ainda na madrugada desta segunda, e até o momento não tem agendas públicas divulgadas.
O Globo