Música ao volante parece inofensiva, mas volume alto e celular nas mãos podem custar pontos na CNH e multa

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Psicóloga explica como ritmo, volume e lembranças associadas às canções podem afetar as emoções e a atenção de quem dirige A música ao volante parece inofensiva, mas o hábito de ouvir canções durante uma viagem pode influenciar o estado emocional do motorista e prejudicar a percepção de sons importantes do trânsito.

Além disso, dependendo da conduta adotada, o uso de equipamentos de som, fones de ouvido ou celular pode resultar em multas e pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Segundo Wilma Amorim, psicóloga clínica, neuropsicopedagoga e coordenadora do curso de Psicologia da Afya Faculdade Porto Nacional (TO), a música ao volante parece inofensiva, mas pode interferir nas emoções e no nível de ativação das pessoas, com reflexos na maneira como elas se comportam ao volante.

“A música pode, sim, influenciar esse estado emocional, o nível de ativação da pessoa também, e pode repercutir na maneira como esse motorista se comporta ao volante”, afirma a especialista. O efeito da música ao volante parece inofensivo, acaba variando de acordo com o perfil de cada condutor, o ritmo da canção, o volume e as condições do trânsito.

Por isso, mesmo que ouvir música torne o percurso mais agradável, alguns cuidados são importantes para evitar distrações no trânsito. Ouvir uma música agitada não significa necessariamente que o motorista vai acelerar ou dirigir de maneira mais arriscada.

Segundo Wilma, uma música ao volante parece inofensiva quando uma canção tranquila favorece o relaxamento em determinadas situações, enquanto uma música estimulante pode aumentar a excitação de algumas pessoas. O estado emocional também influencia essa reação.

Um condutor irritado por causa de um congestionamento pode responder de maneira diferente ao ouvir uma música agitada, enquanto alguém tranquilo pode simplesmente aproveitar a canção. As lembranças associadas às músicas também merecem atenção.

Uma faixa pode despertar sentimentos positivos, mas também trazer recordações desagradáveis e provocar tristeza, saudade ou irritação inesperadas. Por isso, a música ao volante parece inofensiva, mas vale observar como a trilha sonora afeta o próprio comportamento.

Se determinada canção aumentar a irritação ou dificultar a concentração, o mais prudente é mudar a música, reduzir o volume ou desligar o som. Mais do que o estilo musical, o volume merece atenção durante a condução.

O som excessivo pode dificultar a percepção de buzinas, sirenes e outros sinais sonoros que ajudam o motorista a identificar situações de risco. “O volume elevado pode dificultar a percepção de sons importantes na hora em que aquele motorista está dirigindo, como sirenes, buzinas e sinais de alerta”, explica Wilma.

Esses avisos podem indicar a aproximação de veículos de emergência ou alertar sobre situações que exigem uma reação rápida. Quando a música encobre esses sons, o condutor pode demorar mais para perceber o que acontece ao redor.

Assim, quando a música ao volante parece inofensiva em situações cotidianas, manter o volume moderado é uma medida importante para preservar a atenção e a segurança. O motorista precisa conseguir perceber os sons relevantes do ambiente sem depender apenas da visão.

Ouvir música durante a condução não é, por si só, uma infração de trânsito. As penalidades dependem da forma como o equipamento é utilizado e da conduta do motorista.

O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) prevê regras específicas para o uso de som automotivo, fones de ouvido e telefone celular. Som em volume ou frequência não autorizados — artigo 228: utilizar equipamento de som em desacordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) configura infração grave, com multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e retenção do veículo para regularização, conforme a legislação.

Fones de ouvido — artigo 252, inciso VI: dirigir utilizando fones conectados a aparelho sonoro ou telefone celular configura infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH. Celular na mão — artigo 252, inciso V: dirigir segurando ou manuseando telefone celular configura infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o condutor manuseia o aparelho para trocar uma música enquanto dirige. Portanto, o risco legal não está simplesmente em escolher uma trilha sonora.

O problema aparece quando o motorista desrespeita as regras sobre equipamentos ou utiliza o celular de maneira irregular durante a condução. Apesar dos riscos relacionados à distração e ao volume excessivo, a música pode tornar o deslocamento mais agradável.

Segundo Wilma, ouvir canções favoritas pode melhorar o humor, aliviar a tensão e ajudar algumas pessoas a lidar com o tempo passado no trânsito. O efeito pode ser especialmente relevante para motoristas profissionais, como caminhoneiros, que passam muitas horas na estrada e, em alguns casos, ficam dias ou semanas longe da família.

Nessas situações, a música pode funcionar como companhia e despertar lembranças afetivas. Uma canção conhecida, por exemplo, pode trazer à memória pessoas queridas e ajudar a amenizar a sensação de distância.

“Quem sabe o motorista deixou a esposa, os filhos, a pessoa amada, e naquele momento a música vai diminuir aquela saudade, vai trazer uma lembrança boa”, comenta a psicóloga. Ainda assim, os benefícios variam de pessoa para pessoa.

Se a trilha sonora provocar emoções intensas ou desviar a atenção da estrada, o ideal é diminuir o volume ou desligar o som. Para aproveitar a trilha sonora sem prejudicar a direção, alguns cuidados ajudam a reduzir as distrações:

A psicóloga também alerta que a música não deve ser usada para tentar combater a sonolência. Quem sente sono ao volante precisa interromper a viagem em um local adequado e descansar antes de continuar.

No fim das contas, a música ao volante parece inofensiva, mas a segurança depende da maneira como o motorista administra o som, as emoções e a atenção. A melhor trilha sonora é aquela que torna o caminho mais agradável sem tirar o foco da estrada.

Bruno Benetti é repórter esportivo do ND Mais, integrante do Núcleo Nacional, e escreve notícias sobre o mundo dos esportes, cobrindo desde as movimentações da Seleção Brasileira até o cenário internacional do futebol. Além de acompanhar grandes torneios, como a Copa do Mundo, traz novidades sobre bastidores de clubes, desempenhos, adversários do Brasil, curiosidades e tendências do futebol.

Está sempre atento às trends e temas que impactam o futebol brasileiro dentro e fora de campo. Formado em Jornalismo em 2014, pela Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, é multilíngue e domina inglês, espanhol, italiano, alemão e francês.

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