Com pouco mais de 104 mil habitantes espalhados por 20 km², Mulhouse é uma pequena cidade na região da Alsácia, no leste da França.
O município fica a três quilômetros da fronteira com a Suíça e a 500 quilômetros da capital francesa, Paris.
Apesar de acanhada para os padrões das grandes cidades europeias, Mulhouse abriga um dos maiores museus do país.
Com 20 mil m², o Museu Nacional do Automóvel reúne mais de 450 carros, entre clássicos, de passeio e de competição.
Criado pelos irmãos Schlumpf, o museu é conhecido por abrigar a maior coleção de Bugatti do mundo.
São mais de 100 veículos do famoso fabricante fundado em 1909 pelo italiano Ettore Bugatti.
Entre os carros de competição que podem ser apreciados no museu, uma área de 2.500 m² enche os olhos de quem passa por ali.
A exposição temporária “Fórmula 1” reúne 48 carros da categoria, desde os anos 1950 até a atual década.
— Todos os modelos de Fórmula 1 expostos aqui são autênticos.
Estes carros competiram, inclusive, em Grandes Prêmios — disse Mylène Wittmer, gerente de comunicação do museu.
A exposição apresenta modelos de todas as décadas da F1, como o Alfa Romeo 159, do primeiro dos cinco títulos de Juan Manuel Fangio, e a Mercedes W11, que ajudou Lewis Hamilton a conquistar o heptacampeonato mundial em 2020.
Há também outro modelo guiado pelo britânico: o W05 da Mercedes, que foi o carro do bicampeonato em 2014.
Mercedes W05, do título de Lewis Hamilton em 2014
Márcio Arruda
Outro heptacampeão da F1, Michael Schumacher também é reverenciado com dois itens: o primeiro é o modelo B195, da Benetton.
Foi com este carro que Schumacher foi bicampeão em 1995.
O outro é o macacão da Jordan da temporada de 1991, o primeiro que ele vestiu na F1.
O pentacampeão Juan Manuel Fangio também é homenageado com um capacete e um par de luvas usados pelo argentino e com dois carros: além do Alfa Romeo, há a Maserati 250F, que é o carro do penta de Fangio, em 1957.
O Fórmula 1 mais recente em exposição é o C-43, da Alfa Romeo, guiado pelo chinês Guanyu Zhou.
Este carro, o último construído pela escuderia, disputou a temporada de 2023.
Brasil representado no museu
Dois carros emblemáticos estão expostos neste museu em Mulhouse.
O primeiro é a Williams FW14B, que conquistou o título de 1992 com o inglês Nigel Mansell.
Este foi o primeiro carro equipado com suspensão ativa a ser campeão na F1.
O outro é a Brabham BT52, o primeiro carro com motor turbo a conquistar um Mundial.
Em 1983, o brasileiro Nelson Piquet faturou o segundo dos seus três títulos com este modelo da Brabham.
Brabham BT52 guiada por Nelson Piquet
Márcio Arruda
Outros carros que ajudaram pilotos brasileiros a construírem suas histórias na F1 também estão em exposição, como o TF104B, de 2004, da Toyota, de Cristiano da Matta e Ricardo Zonta.
Neste museu há três modelos que ajudaram Rubens Barrichello a moldar sua carreira na F1: dois da Jordan, 195 e 196, das temporadas de 1995 e 1996, respectivamente, e o FW32, da Williams, que disputou o campeonato de 2010.
— A exposição é dividida entre espaços dedicados aos carros de corrida e uma área que apresenta capacetes, motores, macacões e outros itens da Fórmula 1 — explicou a gerente Mylène Wittmer.
E é ali que é possível admirar um macacão de Ayrton Senna da temporada de 1988, ano que ficou marcado pelo primeiro título mundial do brasileiro.
Há, também, capacetes do tricampeão de diferentes épocas.
O modelo T16, da Gordini, chama a atenção de quem visita o museu.
Foi com um modelo assim que o franco-brasileiro Hermano da Silva Ramos, que morreu em maio deste ano, aos 100 anos, conquistou dois pontos no GP de Mônaco de 1956.
Nano, como era carinhosamente conhecido, foi o brasileiro recordista de pontos na F1 por 14 anos.
A marca foi quebrada por Emerson Fittipaldi no GP da Alemanha de 1970.
— Os monopostos mais antigos, das primeiras décadas da Fórmula 1, pertencem ao acervo do museu — revelou Wittmer.
T16 Gordini, pilotado por franco-brasileiro Hermano da Silva Ramos
Márcio Arruda
Carros campeões
Modelos que marcaram época com pilotos campeões estão em exposição no museu, como a Ferrari F2007, do título mundial do finlandês Kimi Raikkonen, em 2007; a Red Bull RB8, do tricampeonato do alemão Sebastian Vettel, em 2012; a Ferrari 500, dos dois títulos do italiano Alberto Ascari, em 1952 e 1953; e os modelos MP4/13 e MP4/14, da McLaren, que ajudaram o finlandês Mika Hakkinen a ser bicampeão em 1998 e 1999, respectivamente.
— Estes carros provêm de diversas coleções.
Os modelos mais recentes foram emprestados por colecionadores particulares e por instituições, como os museus Ferrari, Louwman, Fangio e Matra, entre outros — afirmou a gerente.
A exposição “Fórmula 1”, no Museu Nacional do Automóvel, em Mulhouse, fica aberta ao público até 1º de novembro de 2026.
— Esta exposição foi inaugurada na primeira quinzena de abril deste ano.
Nestes quase quatro meses, acreditamos ter recebido cerca de 70 mil visitantes — estimou Mylène Wittmer.
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