Musculação e corrida: 7 erros que aumentam o risco de lesões durante os treinos

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Fonte da notícia: A Gazeta A Gazeta

Com o verão se aproximando, muita gente busca melhorar os resultados na academia e o desempenho nas corridas de rua. Para quem deseja definir pernas e glúteos ou completar uma prova antes do fim do ano, a rotina pode incluir agachamentos com mais carga, séries intensas de leg press e quilômetros extras.

Quando esse aumento acontece sem planejamento, porém, podem surgir dores persistentes, inflamações e lesões que atrapalham os treinos e, em alguns casos, exigem uma pausa nos exercícios. O problema não está necessariamente na musculação ou na corrida, mas na maneira como o treinamento é organizado.

Aumentar as cargas rapidamente, ignorar limitações de mobilidade e encurtar os períodos de descanso são atitudes que podem ultrapassar a capacidade de adaptação do organismo. Os ortopedistas Luiz Henrique Silveira Rodrigues, especialista em quadril, e Luiz Henrique Pires, especialista em joelho, explicam quais erros merecem atenção.

Confira! O agachamento é um dos exercícios mais utilizados para fortalecer pernas e glúteos, mas a busca por resultados rápidos pode levar ao uso de pesos incompatíveis com o condicionamento físico.

Em pessoas com determinadas alterações do quadril, a combinação de carga elevada e movimentos dolorosos pode agravar sintomas. “Existe uma preocupação muito grande em aumentar a carga para conseguir resultados estéticos mais rápidos, mas nem sempre a articulação está preparada para aquele nível de exigência.

O quadril precisa de mobilidade, estabilidade e controle muscular. Quando a pessoa ignora a dor e continua forçando determinados movimentos, pode agravar uma condição que já existia”, explica o ortopedista Dr.

Luiz Henrique Silveira Rodrigues, especialista em cirurgia do quadril. A amplitude do agachamento e do leg press deve considerar a mobilidade e as características individuais.

Em pessoas com impacto femoroacetabular sintomático, a flexão acentuada do quadril pode provocar desconforto na virilha e limitar os movimentos. Isso não significa que o exercício seja prejudicial para todos, mas que adaptações podem ser necessárias.

“Não existe uma regra dizendo que toda pessoa com dor no quadril precisa abandonar o agachamento. Em muitos casos, podemos ajustar a amplitude, reduzir a carga e trabalhar o fortalecimento de maneira progressiva.

O erro é acreditar que sentir dor durante o exercício significa que o treino está funcionando”, orienta o ortopedista Dr. Luiz Henrique Silveira Rodrigues.

Com a proximidade de provas como a São Silvestre, corredores iniciantes podem tentar compensar meses de pouca atividade aumentando rapidamente as distâncias percorridas. Entretanto, músculos, tendões e articulações precisam de tempo para se adaptar às novas exigências.

A progressão inadequada pode favorecer dores nos joelhos e outras lesões por sobrecarga. “Existe uma diferença importante entre desafiar o corpo e ultrapassar sua capacidade de adaptação.

Quando alguém passa rapidamente de poucos quilômetros para treinos longos, sem fortalecimento ou recuperação adequada, pode desenvolver dores que comprometem a continuidade da atividade física”, explica o ortopedista Dr. Luiz Henrique Pires, especialista em cirurgia do joelho.

Correr em superfícies rígidas não significa, necessariamente, provocar desgaste das articulações. A corrida recreativa, quando realizada de maneira adequada, pode trazer benefícios importantes para a saúde.

“O asfalto não deve ser tratado como o único responsável pelas dores. Precisamos observar o conjunto de fatores, incluindo força muscular, técnica, recuperação e possíveis alterações preexistentes.

Uma pessoa bem condicionada pode tolerar cargas que seriam excessivas para alguém que acabou de começar”, ressalta o ortopedista Dr. Luiz Henrique Pires.

Dor profunda na virilha, limitação de movimentos e desconforto ao agachar podem estar relacionados a diferentes condições, incluindo o impacto femoroacetabular e lesões do labrum, estrutura que contribui para a estabilidade da articulação. Esses sintomas não confirmam isoladamente uma lesão, mas merecem investigação quando persistem.

“Uma dor que persiste, limita o treino ou aparece em atividades simples, como entrar no carro, subir escadas ou permanecer sentado, merece investigação. O exame clínico é fundamental para entender se existe comprometimento intra-articular ou se o desconforto tem outra origem”, destaca o ortopedista Dr.

Luiz Henrique Silveira Rodrigues. A preparação para corridas não deve envolver apenas o aumento da distância percorrida.

O fortalecimento dos músculos do quadril, das coxas e das panturrilhas contribui para o controle dos movimentos e para a capacidade de lidar com as exigências da atividade. “Quem deseja participar de uma prova precisa entender que a preparação não envolve apenas correr mais.

O fortalecimento muscular, o descanso e o ajuste das cargas fazem parte do processo. O objetivo é chegar ao evento em condições de completar o percurso, e não lesionado por excesso de treinamento”, orienta o ortopedista Dr.

Luiz Henrique Pires. Desconfortos musculares leves podem ocorrer após exercícios mais intensos , mas dores articulares persistentes, inchaço, travamentos e limitações de movimento não devem ser ignorados.

Insistir no treinamento sem investigar a causa pode agravar determinadas lesões e prolongar o período de recuperação. “A dor é uma informação importante do organismo.

Não significa que toda sensação desconfortável seja uma lesão grave, mas também não deve ser normalizada. Se o joelho começa a inchar, travar ou limitar atividades, precisamos investigar antes de continuar aumentando a carga”, explica o ortopedista Dr.

Luiz Henrique Pires. Para os especialistas, conquistar resultados físicos exige consistência, progressão adequada e respeito aos limites individuais.

“Completar uma prova é uma conquista, mas preservar a saúde dos joelhos é o que permite continuar correndo nos meses e anos seguintes. O treinamento precisa respeitar o tempo de adaptação do corpo”, conclui o ortopedista Dr.

Luiz Henrique Pires.

Publicação Original A Gazeta agazeta.com.br
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