Mulheres que entram na menopausa precocemente têm envelhecimento cerebral mais rápido e diagnóstico de Alzheimer mais jovens; entenda

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A menopausa é mais do que apenas o fim da fase reprodutiva da mulher. Ela desencadeia uma série de alterações hormonais que podem afetar o bem-estar geral, dando origem a diversos sintomas físicos e emocionais. Um estudo recente publicado na revista científica JAMA Network Open constatou que a idade em que a mulher entra na menopausa está associada à sua saúde neurológica e à estrutura cerebral a longo prazo. Entenda: Cientistas brasileiros descobrem vírus que pode combater bactéria da pneumonia e sepse resistente a antibióticos Primeiro cigarro de menino indonésio que fumava 40 unidades por dia aos 2 anos foi oferecido pelo pai Estudos demonstraram uma relação entre a menopausa e o declínio cognitivo, mas os pesquisadores queriam entender o que acontece a longo prazo. Será que a menopausa precoce prepara o terreno para um declínio mais rápido da memória, um diagnóstico mais cedo de doença de Alzheimer ou alterações na estrutura cerebral à medida que as mulheres envelhecem? Para investigar essa relação, eles analisaram dados de 2.603 mulheres mais velhas participantes de dois estudos de longa duração — o Religious Orders Study e o Rush Memory and Aging Project — e as acompanharam por até 18 anos. Os resultados mostraram que as mulheres que entraram na menopausa mais cedo apresentaram um declínio mental geral mais acelerado, especialmente no que diz respeito à memória episódica, como a capacidade de recordar eventos e experiências pessoais. Elas também desenvolveram a doença de Alzheimer em uma idade média mais jovem. Para colocar isso em perspectiva, entrar na menopausa 10 anos mais cedo equivalia a cerca de 1,8 ano a menos livre da doença de Alzheimer na idade média de diagnóstico. O peso dos hormônios Mulheres na faixa dos 60 anos têm quase o dobro da probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer em comparação aos homens — uma diferença que não pode ser explicada apenas pelo fato de as mulheres viverem mais. Uma possível peça desse quebra-cabeça é a menopausa.

Essa fase marca uma mudança significativa no envelhecimento biológico, pois o corpo deixa de produzir o estrogênio (um hormônio ovariano), que é fundamental para a manutenção da saúde e da função cerebral, bem como para o metabolismo energético e o controle da inflamação. A perda desse efeito protetor pode levar a um envelhecimento cognitivo menos saudável. Embora a menopausa precoce já tivesse sido associada a um declínio mais rápido da memória e a um risco maior de Alzheimer, os pesquisadores ainda não sabiam se as mulheres que passavam pela menopausa mais cedo também apresentavam alterações físicas mais aceleradas ou uma redução do volume cerebral ao envelhecer. Era difícil obter evidências conclusivas sobre isso, pois a maioria dos estudos de neuroimagem analisava mulheres na meia-idade ou registrava a estrutura cerebral em um único momento, dificultando a observação de como essas alterações evoluíam ao longo das décadas seguintes à menopausa. Faltava uma análise sistemática e de longo prazo para verificar se a idade de início da menopausa está ligada à velocidade da redução do volume cerebral em fases posteriores da vida — e este novo estudo preencheu essa lacuna. Alterações cerebrais de longo prazo Pesquisadores acompanharam as participantes por quase duas décadas, aplicando testes padronizados de memória e raciocínio anualmente para monitorar a função cognitiva geral e habilidades específicas, como a memória episódica e a memória de trabalho. Profissionais de saúde também avaliaram as participantes anualmente, registrando o momento exato do diagnóstico da doença de Alzheimer. Um total de 774 mulheres foi submetido a exames de imagem cerebral repetidos utilizando ressonância magnética de alta resolução, e 1.287 mulheres que faleceram durante o estudo doaram seus cérebros para análise direta do tecido. Mulheres que entraram na menopausa mais cedo apresentaram um declínio mais rápido na função cognitiva geral, refletido em alterações visíveis nos exames de imagem cerebral. A menopausa natural precoce foi fortemente associada a um acúmulo mais acelerado de hiperintensidades da substância branca — manchas observadas em exames de imagem que indicam alterações estruturais ou desgaste nas vias de substância branca do cérebro. Ao longo de 10 anos, mulheres que haviam entrado na menopausa natural cinco anos antes apresentaram um acúmulo de volume de hiperintensidades da substância branca cerca de 15% maior do que mulheres com características semelhantes, mas que entraram na menopausa mais tarde. Os dados também indicaram que esse acúmulo acelerado de danos na substância branca ocorreu especificamente em mulheres cujos níveis hormonais diminuíram gradualmente devido à menopausa natural, em vez de sofrerem uma queda abrupta decorrente de cirurgia. Os resultados demonstram que a menopausa representa um período crítico na meia-idade, no qual médicos poderiam intervir precocemente com planos de tratamento personalizados e, potencialmente, alterar a trajetória da saúde cognitiva de milhões de mulheres em risco de desenvolver doenças neurodegenerativas.

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