Evan Francis, de 30 anos, passou seis meses em agonia antes de ser diagnosticada com síndrome de Fowler em julho de 2024 — uma condição rara que impede o esvaziamento da bexiga.
Lua Blanco: câncer de intestino cresce entre jovens, veja os principais sintomas Quantos passos por dia são necessários para estimular o funcionamento cerebral? Estudo de 14 anos indica o número ideal Os sintomas começaram por volta do Natal de 2023, quando ela passou dias sem conseguir urinar. Ela ficou tão inchada que parecia estar grávida e os médicos acabaram encontrando um litro de urina, que precisou ser drenado de sua bexiga.
Evan foi ao médico com dores nas costas e inchaço no dia 3 de janeiro de 2024 e recebeu antibióticos para uma infecção urinária. Duas semanas depois, precisou voltou ao médico com os mesmos sintomas e disse que não urinava há dois dias, sendo diagnosticada com a mesma infecção urinária.
Em fevereiro de 2024, fez uma ultrassonografia que revelou 300 ml de urina em sua bexiga, e foi encaminhada para a urologia. Enquanto aguardava a consulta, Evan passou 36 horas sem conseguir urinar e foi orientada a ir ao pronto-socorro caso a situação piorasse.
Após sentir tonturas e náuseas enquanto estava em um supermercado no dia seguinte, ela foi ao Hospital Medway, em Kent, onde foi drenado um litro de urina de sua bexiga.
"Achei essa experiência incrivelmente traumática e constrangedora. Sinto que essa é uma condição muito humilhante e degradante porque não há conhecimento sobre ela. Eu me sentava no vaso sanitário e não sentia nenhuma vontade de urinar", afirmou.
Andar com as mãos para trás pode revelar traços de comportamento; entenda o que diz a psicologia Após 24 horas, a mulher foi mandada para casa com um cateter drenando sua bexiga para uma bolsa presa à perna. Ela ficou tão constrangida que levou cinco dias para reunir coragem para sair de casa.
Duas semanas depois, de volta no hospital, Evan ainda não conseguia urinar mesmo após a remoção do cateter e começou a apresentar inchaço novamente. Ela fez uma cistoscopia em maio de 2024, procedimento no qual uma pequena câmera foi inserida em sua uretra, e duas ressonâncias magnéticas em junho.
Em julho, ela fez um exame urodinâmico, no qual sua bexiga foi preenchida com água para testar seu funcionamento. Os médicos disseram que seus músculos não conseguiam liberar a urina e ela finalmente foi diagnosticada com síndrome de Fowler. Ela precisaria usar um cateter para o resto da vida.
"Eles falam sobre isso com muita naturalidade, mas é algo muito difícil de ouvir e afetou muito minha saúde mental. Sou muito jovem para ter problemas com a bexiga e, embora aconteça com jovens com mais frequência do que imaginamos, não se fala muito sobre isso. Pensamos em cateteres como algo para pessoas hospitalizadas e associado ao envelhecimento. Quando ouvimos a palavra 'cateter', não pensamos em pessoas como eu, mas isso pode acontecer com qualquer pessoa, de qualquer idade", revelou.
De fevereiro a agosto de 2024, Francis sofreu 35 infecções do trato urinário e foi hospitalizada por sepse em agosto, sendo então colocada em um cateter suprapúbico — um tipo de tubo que sai da bexiga e passa pela parte inferior do abdômen.
Janones: veja os sintomas do problema cardíaco que causou a internação do deputado federal em SP "As pessoas dizem que lido muito bem com isso, mas não veem o quanto eu sofro. Gostaria que a retenção urinária fosse mais amplamente discutida e conhecida", disse.
Em fevereiro deste ano, Francis entrou na lista de espera para uma cirurgia que criará um tubo a partir do seu apêndice para desviar a urina da bexiga até o umbigo, permitindo que ela conecte um tubo e abra uma válvula quando precisar ir ao banheiro.
"A espera é muito longa e sinto que minha vida está em suspenso até lá", afirmou.
O Globo