Uma mulher de 47 anos deu à luz uma menina em setembro, em Nova York, após vencer uma disputa judicial com o ex-marido pelo direito de utilizar embriões congelados criados pelo casal durante um tratamento de fertilização in vitro (FIV). Erin Millender conseguiu autorização da Justiça para realizar o procedimento apesar da oposição de Adam Rubin, de 45 anos, com quem ainda disputa judicialmente o destino do embrião restante.
Os dois iniciaram o tratamento pouco depois do casamento, após Millender receber o diagnóstico de infertilidade. A pressão emocional e as dificuldades enfrentadas durante o processo, no entanto, desgastaram a relação.
Em junho de 2023, Rubin pediu o divórcio e afirmou ter revogado o consentimento para a utilização dos embriões. — Acho que nós dois estávamos sofrendo muito com toda a pressão.
Eu sabia que precisávamos de uma pausa — contou Millender à ABC News. Contratos e disputa na Justiça
Antes da separação, o casal havia sido informado de que dois embriões eram viáveis. A divergência sobre o destino do material biológico chegou aos tribunais, que, em dezembro de 2025, decidiram a favor de Millender e concederam a ela o direito de utilizar os dois embriões.
A decisão levou em consideração contratos assinados pelo casal com a clínica de fertilidade NYU Langone. Um documento de 2021 previa que os embriões seriam destinados à pesquisa científica em caso de separação.
Um segundo acordo, firmado em 2023, estabelecia que o destino do material seria definido pelo parceiro indicado em um eventual acordo de divórcio ou outro documento vinculativo. Rubin recorreu da decisão e afirmou ter ficado surpreso com o resultado.
Segundo ele, a disputa o deixou sem controle sobre o próprio material genético. A advogada do empresário, Morgan Mazor, disse à ABC News que o caso pode abrir precedentes sobre direitos reprodutivos e a interpretação de contratos envolvendo embriões congelados.
Após a decisão, Millender realizou a transferência de um dos embriões e engravidou. Agora, pretende utilizar o segundo para tentar ter outro filho, apesar das dificuldades de criar duas crianças sozinha depois dos 50 anos.
— Sempre foi minha intenção dar aos dois embriões uma chance de sobreviver — afirmou ao jornal The New York Times. O divórcio ainda não foi concluído, e Rubin continua contestando a decisão judicial.
Em 21 de outubro, Millender anunciou o nascimento da filha e agradeceu às pessoas que contribuíram com uma campanha de arrecadação criada por ela no GoFundMe. A advogada também relatou que ainda não tem uma moradia permanente garantida para além do fim do ano.
O Globo