Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram, na noite desse domingo (18), do primeiro confronto direto no debate na Band. Os dois correm contra o tempo em busca de votos dos eleitores indecisos, no segunto turno das eleições, que será definido nas urnas, no próximo domingo (25).
Para fazer uma análise sobre o desempenho de Flávio e Lula, o Jornal da CBN reuniu os comentaristas Vera Magalhães, Lauro Jardim e Bernardo Melo Franco. Os âncoras Mílton Jung e Cássia Godoy mediaram a conversa, que começou com o questionamento: os candidatos entregaram o que se esperava? A comentarista Vera Magalhães destaca que os candidados ficaram aquém da expectativa e acabaram usando o formato do debate como um entretenimento. Ela ressalta ainda que o primeiro bloco foi confuso e tenso: "Os candidatos ficaram bastante aquém dessa expectativa, porque o formato acabou sendo usado, principalmente, pelo Flávio Bolsonaro, para promover um entretenimento, uma performance, e não propriamente um debate de ideias. (...) o primeiro bloco muito confuso, muito tenso, a coisa melhorou um pouco nos outros blocos (...) mas em nenhum momento a gente viu um aprofundamento, por assim dizer, das plataformas dos dois candidatos". Bernardo Melo Franco classificou o debate como negativo. 'Muito esperado, mas muito frustante'. Comentarista acrescenta que foi pouco produtivo para o eleitor e de muitas oportunidades perdidas de lado a lado: "Na minha avaliação, foi um debate muito negativo, muito esperado, mas muito frustrante, na medida em que os dois candidatos ficaram basicamente nesse jogo de bate-boca, de troca de acusações, muito pouco produtivo para o eleitor, especialmente para o eleitor indeciso, o eleitor que ainda não tem a sua convicção formada entre os dois. (....) Na minha visão, o Flávio passou da conta. Ele não foi apenas um personagem que estava ali provocando o adversário. Ele muitas vezes passou uma ideia, uma imagem de desrespeito, de arrogância contra um adversário, que inclusive é mais velho até do que o pai dele. Por outro lado, o presidente Lula, na minha visão, caiu muito na provocação do Flávio, especialmente ali no começo do debate, ficou desestabilizado, ficou passando um nervosismo, uma irritação, uma impaciência que também não soa bem ao eleitor. Foi um debate de muitas oportunidades perdidas de lado a lado". Lauro Jardim destaca que o debate que era tão esperado foi uma espécie anticlimax, já que os dois pareciam não estar preparados preparados para o debate de ideias. 'Duvido que tenha servido para ganhar ou virar voto. Deixou tudo na mesma'. Lauro acrescenta que o debate não termina nas duas horas de duração, continua nos cortes que as campanhas vão viralizar. 'O que ja esá contando é o que vai viralizar'. Ele completa dizendo que os cortes podem ter algum efeito sobre a eleição: "Esse debate, que era tão esperado, já desde o primeiro turno, o confronto dos dois foi uma espécie de anticlímax, porque os dois pareciam mal preparados para o debate de ideias. (...) O fato é que esse debate de ontem, eu duvido que tenha servido para, seja para o Flávio, seja para o Lula, ganhar o voto dos indecisos, ou muito menos, virar o voto de quem tinha se decidido pelo adversário. É um debate que, com certeza, deixou tudo na mesma, os votos que o Lula tinha, ele manteve, os votos que o Flávio tinha, ele manteve, e eu duvido que eles tenham avançado sobre os votos dos outros. (...) Não foi o debate, mas os cortes podem, sim, ter algum efeito, sobretudo numa eleição que, como as pesquisas registram, está super apertada". Vera Magalhães destacou que, no agregado dos cortes e da repercussão, Flávio Bolsonaro: primeiro, uma certa arrogância que ele demonstra em muitos momentos. E segundo, um deboche. O eleitor, principalmente esse eleitor indeciso, ele não gosta dessa postura. pode se prejudicar por dois aspectos: "O Flávio Bolsonaro abusou do marsalismo nesse aspecto, escrevendo coisa na mão, e aí produziu uma coisa ruim para ele mesmo, porque está escrito corrupto, e ele mostrando para a câmera, e esse corte está viralizando muito, ele com a mão com corrupto escrito, e como se estivesse se referindo a si próprio, aquela coisa dele ficar que nem um moleque, passando atrás do Lula, e aí já tem memes de toda maneira, da novela Viagem, Louro José, etc. Então, eu acho que isso pode acabar sendo deletério para o que ele pretendeu, e tendo um efeito contrário".
Bernardo Melo Franco destaca que Flávio estava mais bem treinado para esse tipo de debate, mas ao exagerar nesse recurso, ele passou da conta, virou meme e passou ar de arrogância, petulância. 'Essas coisas não ditas, contam muito'. Para Bernardo, Lula perdeu oportunidades de fixar alguns pontos que são as marcas dele: "Na minha visão, o Flávio passou da conta. E não só virou meme, deu origem a essas brincadeiras da internet, como também passou uma imagem de arrogância, de petulância, de deboche em relação, de novo, a um candidato mais velho do que ele e que é presidente da República. Então, essas coisas não ditas num debate de televisão, elas contam muito. Ao passo que o presidente Lula, na minha visão, perdeu oportunidades de marcar, de fixar alguns pontos que são as marcas dele". Lauro Jardim ressalta que na preparação para o debate, Flávio Bolsonaro foi aconselhado a ficar bem perto de Lula, mas ele exagerou no recurso ao fazer gesto e caras e bocas: "Flávio Bolsonaro exagerou nesse recurso. Então, ele não apenas ficou perto do Lula, mas ele fazia gestos, ele fazia caras e bocas ali, enfim, com a cara de que não estava concordando com o que o Lula dizia, etc" Bernardo Melo Franco diz que as pessoas estão interessadas nas eleições e sabendo que essa é uma semana decisiva. O novo confronto entre os dois candidatos será na próxima sexta-feira (23), na TV Globo: As pessoas estão interessadas e estão sabendo que essa é a semana decisiva, que agora faltam apenas seis dias para a eleição. Vem aí, o debate da Globo, que é na sexta-feira à noite, tradicionalmente é o debate de maior audiência. Então, de certa forma, tudo isso que a gente está discutindo agora e que a gente assistiu ontem à noite, pode, no fim das contas, ter sido uma espécie de ensaio geral, tanto para o público quanto para os candidatos que vão voltar a se confrontar na sexta-feira". Ouça a análise completa dos comentaristas:
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