'É muito constrangedor ter um irmão e não votar nele', diz Cid Gomes sobre candidatura de Ciro ao governo do Ceará
O senador Cid Gomes (PSB) disse ser “muito constrangimento ter um irmão e não votar nele”. A declaração ocorre diante do racha na família Ferreira Gomes, que deve posicionar o parlamentar e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) em chapas opostas na eleição do Ceará. Enquanto Cid é aliado do governador Elmano de Freitas (PT) e articula a presença do PSB na chapa majoritária petista, Ciro é o principal nome da oposição na disputa pelo governo estadual.
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Em entrevista ao GLOBO, Cid disse ver como quase incontornável a candidatura de Ciro ao governo do Ceará. O senador também reafirmou que apoia Elmano no pleito deste ano e destacou que trabalha para que o deputado federal Junior Mano seja o nome do PSB ao Senado na chapa governista.
— As coisas estão caminhando no Ceará de um jeito que será difícil o Ciro recusar (ser candidato ao governo). Não há no grupo político dele, que tem o PL e o União Brasil, uma outra alternativa. Para mim, é muito constrangedor ter um irmão e não votar nele. É um constrangimento que eu não quero passar — disse Cid.
O senador disse que apoiaria o irmão caso ele fosse candidato à Presidência e que chancelará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição apenas “se não houver outra alternativa”. Cid também negou a intenção de disputar o Senado neste ano. Ele é o nome favorito do ex-ministro Camilo Santana (PT) para compor a chapa na disputa pela Casa Legislativa.
Cid afirmou não acreditar que Ciro votaria nele para o Senado em um cenário hipotético no qual o seu nome fosse às urnas pela reeleição.
— Imaginando o seguinte cenário: caso Ciro seja candidato, ele terá dois nomes ao Senado. Se eu fosse candidato ao Senado na chapa do Elmano, o Ciro jamais trairia algum dos aliados dele para votar em mim. Não é da nossa natureza. Não é da nossa índole a traição.
Segundo Cid, a meta do PSB no Ceará é fazer uma bancada de cinco deputados federais e 13 deputados estaduais.
Racha político
Cid e Ciro estão afastados há cerca de três anos, quando discordaram sobre quem deveria ser o candidato do PDT no pleito estadual de 2022. O parlamentar defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu após Camilo deixar o cargo, à medida que Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha à Presidência, o que poderia ter resistências da então governadora em meio ao apoio a Lula. O PT, que defendia ter o palanque de Izolda, rompeu com o PDT após o escolhido ser Roberto Cláudio e lançou Elmano, que terminou eleito com 54,02% dos votos, contra 31,72% de Wagner e 14,14% do ex-prefeito de Fortaleza.
Um ano depois, em novembro de 2023, Cid saiu do PDT e migrou para o PSB junto a outros dois irmãos, isolando ainda mais Ciro. Junto com eles, debandaram cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais.
Chapa ao Senado
O governo Elmano é bem avaliado pela população, mas a ascensão de Ciro nas pesquisas de intenção de voto ao governo reforça a necessidade de fortalecimento da chapa majoritária. Tanto Camilo quanto Lula defendem que a composição deve privilegiar nomes que ajudem a expandir a base governista no estado.
A sigla avalia outros três nomes, além Cid Gomes e Junior Mano para as vagas ao Senado: os deputados federais Eunício Oliveira (MDB) e José Guimarães (PT), e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos).
Guimarães nega a possibilidade de abrir mão da candidatura e defende ser necessário eleger senadores com compromisso com o estado e com a causa do governo Lula:
— Meu nome está referendado por tudo que tenho feito no Ceará e na liderança do governo Lula — defendeu em entrevista ao GLOBO no mês passado.
