MPF investiga se chefe da PF vazou informações sigilosas sobre irmão de Lula e a máfia do INSS

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Em abril de 2025, dois dias depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação contra um conjunto de sindicatos que roubaram mais de 6 bilhões de reais de aposentados no INSS,  o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, deu uma entrevista para aparentemente isentar o irmão do presidente Lula, o sindicalista Frei Chico, de qualquer envolvimento com a ação policial. “Várias entidades e associações foram objeto de buscas e apreensão e de medidas também contra seus dirigentes. E esse sindicato, o Sindnapi, não foi objeto de busca e apreensão e tampouco seus dirigentes foram alvo de qualquer medida. Respondendo objetivamente: o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação e, portanto, eu sei que isso, pela questão política, termina gerando uma onda de pessoas tentando fazer uma vinculação”, disse Rodrigues.

O sindicato, como se sabe, era, sim, investigado, mas a fala do chefe da PF, num momento em que nem os malotes de busca haviam sido abertos e periciados, levantou críticas sobre o vazamento de dados sigilosos na fala de Rodrigues para supostamente beneficiar o Sindnapi e o próprio irmão de Lula. Para os investigadores, caberia ao advogado do irmão do presidente da República fazer essa defesa, não a um investigador que tinha o dever de sigilo na ocasião. É justamente isso — o descumprimento do dever funcional — que o MPF decidiu investigar num Procedimento Investigatório Criminal para apurar a “suposta divulgação de informações sigilosas da Operação Sem Desconto, decorrente de declarações públicas do Diretor-Geral da Polícia Federal”.

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No despacho, o órgão explica que diligências serão realizadas para aprofundar a investigação “com vistas à correta adoção de providências judiciais ou extrajudiciais”. Numa primeira análise, a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal rejeitou arquivar o caso que cita Andrei Rodrigues e indicou “a necessidade de realização de diligências para aferir se houve descumprimento do dever funcional, violação do art. 325 do Código Penal ou prática de ato de improbidade (art. 11, III, da LIA)” por parte do chefe da PF. Entre as medidas, o órgão vai intimar o chefe da PF para que preste esclarecimentos sobre a entrevista dada ainda no calor das investigações para isentar o parente de Lula de qualquer suspeita.

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O MPF também encaminhou o caso à Justiça Federal e mandou juntar no processo “a cópia do ato judicial que fixou o sigilo do Inquérito Policial que integra a Operação Sem Desconto no que toca ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (decisão id. 2163046700 dos autos PJe nº 1070160-13.2024.4.01.3400)”, o famoso Sindnapi, cujo vice-presidente era Frei Chico, o irmão de Lula. Apesar da entrevista de abril daquele ano, meses depois a PF faria uma nova operação tendo o sindicato do irmão de Lula como um dos alvos, mas Frei Chico não sofreu ordens de busca dos federais.  Naqueles dias, foram cumpridos 66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo (45 mandados), Sergipe (12), Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Santa Catarina (2), Pernambuco (2), Bahia (2) e no Distrito Federal (1).

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Por meio de nota, no dia da operação, os advogados do Sindnapi se disseram “surpresos com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da Operação Sem Desconto”. O Radar acionou a PF e registrará a manifestação do diretor da corporação e do sindicato e do irmão de Lula tão logo receba as manifestações.      

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