Morte por chumbinho: madrasta é condenada a 49 anos pelo assassinato de enteada e tentar matar irmão dela
Cintia Mariano Dias Cabral foi condenada a 49 anos de prisão, em regime fechado, por matar envenenada com chumbinho a enteada, Fernanda Cabral, de 22 anos, e tentar matar o irmão da jovem, Bruno Cabral, da mesma maneira. O julgamento foi no III Tribunal do Júri do Rio e durou cerca de 16 horas.
Estupro coletivo na Baixada Fluminense: polícia procura adolescente e quatro maiores
Estupro coletivo em Copacabana: último acusado que estava em liberdade se entrega à polícia
A sentença foi lida por volta das 7h desta quinta-feira. Os jurados definiram o veredito em menos de meia hora de deliberações. A juíza Tula Mello leu a sentença, que destacou a frieza de Cintia, a premeditação do crime e suas “consequências nefastas”. Os seis advogados que fazem a defesa de Cíntia afirmaram que vão recorrer da decisão, segundo o Bom Dia Rio, da TV Globo.
Na transmissão do julgamento pelo YouTube é possível ouvir um grito no momento que que Tula Mello anuncia a condenação de Cintia.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em 15 de março de 2022, Cintia colocou veneno na comida servida a Fernanda. A jovem passou mal logo após a refeição, foi hospitalizada e morreu após passar 13 dias internada. Em maio do mesmo ano, Cíntia repetiu o método ao servir um alimento contaminado ao enteado, à época com 16 anos, que sobreviveu.
Suposta terceira vítima
No Tribunal, os dois filhos biológicos de Cintia narraram que outro enteado da mulher pode ter sido vítima de uma tentativa de homicídio há anos. Eles contaram que quando eram crianças, e Cíntia estava em outro relacionamento, o então enteado dela, também criança, foi hospitalizado após tomar um medicamento. Na época, o caso passou despercebido, mas após o envenenamento de Fernanda e Bruno, o pai dos filhos de Cintia lembrou do episódio e contou lembrar que a criança ingeriu um líquido que o cheiro se assemelhava a querosene.
— Meu pai falou que, supostamente, ela tinha dado querosene a meu irmão, de outro relacionamento dele. Na época ele tinha 5 ou 6 anos, e foi para o hospital — contou Lucas Mariano Rodrigues.
Lucas também narrou que a mãe admitiu ter matado Fernanda Cabral e ter tentado matar Bruno Cabral. Após uma noite de conversa, ela teria aceitado admitir à polícia seus crimes. Chegando na delegacia, Lucas, no entanto, relatou que ela tentou incriminá-lo dos crimes para não ser presa.
Carla Mariano Rodrigues, outra filha biológica da acusada, narrou o episódio do querosene, a confissão da mãe sobre os casos de Fernanda e Bruno e contou outro suposto crime da mãe. Quando tinha 12 anos, Cíntia Mariano a fez mentir sobre um suposto sequestro.
— Os bandidos primeiro entraram na casa do meu pai e roubaram alguns itens. Ela então foi me buscar, e no caminho disse precisar passar na casa dela. Na época, ela morava numa favela próxima. Eu disse que estava com medo, mas ela insistiu. Assim que ela subiu (o morro), os bandidos estavam nos esperando. Ela me deixou lá e foi embora. Depois de um tempo, ela me buscou de carro. Ela me fez contar pro meu pai que os bandidos nos pegaram em um sinal no caminho para a casa dela — contou Carla, que relatou ter contado a verdade para o pai somente na audiência em 2024.
