Morte de Ted Turner: o que é a demência com corpos de Lewy, doença cerebral rara revelada pelo fundador da CNN antes da morte

 

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A morte de Ted Turner, fundador da CNN e um dos nomes mais influentes da história da televisão, reacendeu a atenção para a demência com corpos de Lewy, doença neurodegenerativa que o empresário revelou enfrentar em 2018. Turner morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, segundo comunicado da Turner Enterprises, deixando um legado marcado pela criação da primeira rede de notícias 24 horas e pela atuação como filantropo e ambientalista.

Ted Turner: fundador da CNN morre aos 87 anos

Conhecido pelo estilo expansivo e pela visão ousada que transformou o jornalismo televisivo, Turner construiu um império de mídia e foi eleito “Homem do Ano” pela revista Time em 1991. Mesmo após vender suas redes para a Time Warner, continuou tratando a CNN como a maior realização de sua vida. Pouco antes de completar 80 anos, porém, anunciou que convivia com a demência com corpos de Lewy, um distúrbio cerebral progressivo que afeta raciocínio, comportamento e movimento.

O que é a demência com corpos de Lewy

Segundo o National Institute on Aging (NIA), a demência com corpos de Lewy ocorre quando há o acúmulo anormal de uma proteína chamada alfa-sinucleína no cérebro. Esses depósitos, conhecidos como corpos de Lewy, comprometem a comunicação entre os neurônios e afetam regiões ligadas à memória, à percepção, ao sono, às emoções e ao controle dos movimentos.

A doença costuma surgir a partir dos 50 anos e é considerada progressiva, ou seja, os sintomas aparecem de forma lenta e tendem a piorar com o tempo. Em média, a sobrevida varia entre cinco e sete anos após o diagnóstico, embora esse período possa ser mais curto ou se estender por até duas décadas, dependendo de cada paciente.

Entre os sintomas mais comuns estão alterações cognitivas, como dificuldade de atenção, raciocínio e planejamento, além de oscilações no estado de alerta, sonolência excessiva durante o dia e episódios de confusão mental. Alucinações visuais também são frequentes e podem surgir logo no início da doença, o que muitas vezes leva a confusão com quadros psiquiátricos ou com o Alzheimer.

A condição também pode provocar sinais semelhantes aos do Parkinson, como rigidez muscular, lentidão nos movimentos, tremores, dificuldade para caminhar e quedas frequentes. Distúrbios do sono são outro sinal importante, especialmente o transtorno comportamental do sono REM, quando a pessoa parece “encenar” os próprios sonhos com movimentos bruscos e falas durante a noite.

Diagnóstico difícil e sem cura

Especialistas apontam que a demência com corpos de Lewy é uma das formas mais difíceis de diagnosticar, justamente porque seus sintomas iniciais se confundem com outras doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica, exames neurológicos, testes cognitivos e exames de imagem, mas a confirmação definitiva só pode ser feita por autópsia cerebral após a morte.

Ainda não há cura para a doença, e o tratamento busca controlar sintomas e preservar a qualidade de vida do paciente pelo maior tempo possível. A identificação precoce, segundo o NIA, ajuda a evitar medicações inadequadas, organizar o cuidado familiar e permitir um acompanhamento mais preciso. No caso de Turner, a revelação pública do diagnóstico também ajudou a ampliar o debate sobre uma condição ainda pouco conhecida fora do meio médico.