Morre o cineasta Silvio Da-Rin, ex-secretário do Audiovisual, aos 77 anos
O diretor de cinema Silvio Da-Rin faleceu nesta quinta-feira (29) aos 77 anos. A informação foi confirmada pela filha, a também diretora Maya Da-Rin, ao GLOBO.
"Ele partiu essa madrugada, às 4:30, depois de uma longa internação", afirmou Maya.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1949, Silvio Da-Rin foi diretor, documentarista e técnico de som com importante atuação na política cultural. Foi presidente da Federação de Cineclubes e atuou como secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura de Gilberto Gil no governo Lula 2.
Da-Rin fez sua estreia no audiovisual com o curta-metragem "Fênix" (1980), que retrata personalidades da cultura brasileira comentando sobre os anos de ditadura militar. A obra conta com depoimentos de nomes como Zé Celso, Caetano Veloso, Cacá Diegues e Norma Bengell. Três anos depois, realizou outro curta: "Príncipe do fogo" (1984). Premiada no Festival de Gramado, a obra contava a história do assassino Febronio Índio do Brasil. Em "Igreja da libertação" (1985), tratou da atuação de setores da Igreja Católica ligado à teologia da libertação.
Ao longo dos anos 1990, Da--Rin se dedicou especialmente à função de técnico de som. Trabalhou no som de obras importantes do cinema brasileiro, como "Pequeno dicionário amoroso" (1997), de Sandra Werneck, "Amores" (1998), de Domingos Oliveira, "Mauá — O imperador e o rei" (1999), de Sergio Rezende, "Villa-Lobos, uma vida de paixão" (2000), de Zelito Viana, "Quase dois irmãos" (2004), de Lúcia Murat, e "Achados e Perdidos" (2005), de José Joffily, dentre outros.
Em 2006, voltou à direção de documentários com "Hércules 56", com entrevistas com cinco revolucionários envolvidos no sequestro do embaixador americano Charles Embrick e também com presos políticos trocados pelo político, em agosto de 1969.
Em "Paralelo 10", Da-Rin retrata a história do sertanista José Carlos Meirelles e a proteção de povos originários em uma pequena base Xinane, da FUNAI, no oeste do Acre, na fronteira com o Peru. Seu último trabalho como diretor foi em "Missão 115", sobre o atentado a bomba no Riocentro, em maio de 1981.
Em 2007, Da-Rin foi anunciado como secretário do Audiovisual do governo Lula, atuando ao lado do ministro da Cultura Gilberto Gil.
A notícia foi lamentada por profissionais do audiovisual nas redes sociais. "Acabamos de perder um cineasta precioso, um pensador sofisticado do cinema e um batalhador vibrante pelas boas causas", escreveu o crítico e pesquisador Carlos Alberto Mattos, amigo do cineasta, em post no Facebook.
