Morre Edmund Phelps, Nobel de Economia que mudou a forma como o mundo vê inflação e desemprego
Edmund Phelps, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2006 e um dos responsáveis por transformar a forma como economistas e bancos centrais enxergam a relação entre inflação e desemprego, morreu na sexta-feira, aos 92 anos, em sua casa em Manhattan, nos Estados Unidos. Segundo sua esposa, Viviana Phelps, a causa da morte foi Alzheimer.
Phelps ficou conhecido principalmente por um artigo publicado em 1968, no qual contestou uma visão amplamente aceita na época: a ideia de que governos poderiam manter o desemprego baixo aceitando uma inflação um pouco mais alta.
O economista argumentou que esse efeito funcionaria apenas no curto prazo. Para manter o desemprego artificialmente baixo por muito tempo, seria necessário estimular cada vez mais a economia, o que acabaria elevando continuamente a inflação.
O estudo também introduziu o conceito de “taxa natural de desemprego” — a ideia de que uma economia saudável precisa de algum nível de desemprego para evitar pressões excessivas sobre salários e preços.
Outro ponto central de sua teoria era o papel das expectativas. Segundo Phelps, empresas e consumidores ajustam preços e salários com base no que acreditam que acontecerá com a inflação no futuro, ajudando a alimentar a própria inflação.
— Se todos esperam inflação, todos tendem a aumentar preços também — afirmou o economista em entrevista ao The New York Times em 2023.
As ideias de Phelps influenciaram profundamente a atuação de bancos centrais ao redor do mundo, incluindo o Federal Reserve. A partir de suas teorias, autoridades monetárias passaram a priorizar o controle da inflação e das expectativas inflacionárias, em vez de tentar reduzir o desemprego a qualquer custo.
As conclusões de Phelps foram desenvolvidas paralelamente às de Milton Friedman, outro Nobel de Economia e uma das figuras mais influentes da economia no século XX.
Para Jason Furman, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo Obama, Phelps tinha uma imagem menos ideológica do que Friedman, o que ajudou suas ideias a serem mais amplamente aceitas.
— Phelps parecia mais um cientista tentando entender o funcionamento do mundo — afirmou Furman.
Nascido em 1933, em Evanston, Illinois, Phelps viveu a infância durante a Grande Depressão, período em que seus pais perderam o emprego. Mais tarde, ele afirmaria que aquela experiência despertou desde cedo sua percepção sobre a importância da economia na vida das pessoas.
