O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chega à véspera do julgamento sobre processo que trata de mensagens enviadas a ele por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sem rebater o conteúdo de documento requisitado pelo colega de Corte, André Mendonça. Relatório da Polícia Federal (PF) aponta indícios de que o empresário era orientado pelo magistrado nos dias que antecederam sua prisão. O presidente do STF marcou para esta terça-feira o julgamento sobre o processo que reúne o relatório produzido pela PF a partir da requisição de Mendonça sobre a rede de influência de Vorcaro e que trouxe informações envolvendo Moraes.
Moraes chegou a anunciar um pronunciamento à imprensa na última quinta-feira, sem divulgar o tema da fala.O cancelamento foi comunicado pouco tempo depois pela assessoria de imprensa, que disse que seria "remarcado em data oportuna". Apesar do silêncio público sobre o assunto, Moraes tem até esta segunda-feira para se manifestar formalmente sobre a peça da PF que será levada ao plenário. Também devem se manifestar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.
O relatório da PF detalha mensagens extraídas do celular de Vorcaro, que mostram o banqueiro pedindo a intervenção de Moraes para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações.
Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e enviou, horas antes de sua prisão, uma mensagem ao magistrado, perguntando se havia "alguma novidade". "Conseguiu ter notícia ou bloquear?". As mensagens foram reveladas pelo colunista do GLOBO Malu Gaspar em março. Na época, a Secretaria de Comunicação do STF publicou uma nota negando que as mensagens haviam sido enviadas para Moraes. Ao argumentar, o ministro citou uma suposta "análise técnica" feita no conteúdo do celular de Vorcaro que estava à época à disposição da CPI do INSS.
"Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos". Logo depois, porém, especialistas apontaram fragilidade nesta versão de Moraes com base no material da CPI. Meses depois, a PF reconstituiu o envio das mensagens de Vorcaro a Moraes.
Na véspera do julgamento desta terça se encerra o prazo que havia sido aberto pelo presidente do STF para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestassem sobre o caso. Apesar disso, a reunião está sem um roteiro definido. Segundo a avaliação de ministros, o início da sessão deve ser marcado por discussões sobre a validade do relatório pedido por André Mendonça à Polícia Federal. Interlocutores não descartam a possibilidade de o debate ser suspenso, por exemplo, por um pedido de vista.
O Globo