Manoella Duarte, mulher do ex-deputado estadual do Rio Rodrigo Bacellar, fez críticas ao que apontou como más condições do marido na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde ele se encontra desde julho. Entre outras alegações feitas nesta segunda-feira, ela diz que a cela "não tem ventilador" e que Bacellar "toma banho com um caneco". Leia mais: PF faz operação para investigar suspeita de tráfico de influência e mira deputado Cezinha de Madureira Eleições: Saiba quanto Eduardo Paes, Douglas Ruas e Garotinho já gastaram em suas campanhas ao Governo do Rio As críticas foram feitas no perfil pessoal da empresária, em longa postagem reproduzida pelo portal g1. Duarte alega ainda que o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio "dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem" e tem "marcas da algema no corpo". "Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim. Mas na última quinta-feira, depois de dois meses sem poder ver o meu marido, o encontrei em condições que não me permitem mais permanecer calada. Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem Estava com o dedo do pé inflamado e me contou que, diante da dor, chegou a colocar o pé dentro da comida quente para tentar aliviar", alega ela em trecho da postagem. Bacellar está em Mossoró desde julho após um desdobramento da operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Entre março e julhoo, ele esteve preso no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Ele foi preso pela primeira vez, preventivamente, em dezembro do ano passado, na primeira fase da operação. A suspeita da PF é que ele tenha vazado a Operação Zargun para o então deputado TH Jóias, preso em setembro por suspeita de usar o mandato parlamentar para favorecer o Comando Vermelho (CV). Isso teria permitido que TH destruísse provas. Ainda em dezembro, o plenário da Alerj revogou a prisão preventiva de Bacellar, que precisou se afastar da presidência e usar tornozeleira eletrônica. No fim de março, no entanto, Bacellar voltou a ser preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar seu mandato. Leia a íntegra da postagem de Manoella Duarte: "Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim. Mas na última quinta-feira, depois de dois meses sem poder ver o meu marido, o encontrei em condições que não me permitem mais permanecer calada. Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem Estava com o dedo do pé inflamado e me contou que, diante da dor, chegou a colocar o pé dentro da comida quente para tentar aliviar" Por mais que a unidade disponha de atendimento médico, há restrições específicas, entre elas, a entrada dos medicamentos prescritos pelos médicos que o acompanham. Isso afeta diretamente a sua saúde física e psicológica. Não é possivel ao Rodrigo usufruir nem mesmo do banho de sol, pois os horários são divididos entre facções e milícias e meu marido não faz e nunca fez parte de nenhuma.
Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá. Venho aqui falar sobre dignidade. A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presidio. Meu marido é um preso provisório. Não foi julgado. Não foi condenado. Mas, acima de tudo, ele é um ser humano. Nenhum ser humano deveria estar nas condições em que eu o encontrei na última quinta-feira. Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade. Peço o mínimo: Água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele. Exatamente o que a legislação brasileira assegura a qualquer pessoa presa neste pais. A qualquer uma. Sou esposa, mãe e avó. Passo as noites em claro pensando se ele vai aguentar. Mas ele é forte. Eu sei que vai. Tenho fé em Deus. Tenho fé na Justiça. E seguirei aqui, ao lado dele, todos os dias. Mas não posso me calar vendo ele ser tratado como se não fosse gente. Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano".
O Globo