Morador de Portugal encontra passaporte de Eliza Samudio

 

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Um passaporte da modelo Eliza Samudio foi encontrado no interior de um apartamento em Portugal, conforme informou ontem, com exclusividade, o Portal Leo Dias. O documento foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino do imóvel, que disse tê-lo achado em uma estante, em meio a alguns livros. Em uma nota, a representação diplomática brasileira informou que comunicou o recebimento ao Itamaraty e que aguarda instruções sobre o caso.

A expectativa é de que seja aberto um procedimento apuratório que explique como o passaporte foi parar no apartamento. Eliza desapareceu em junho de 2010, e investigações da Polícia Civil do Rio revelaram que ela foi assassinada por ordem de Bruno Souza, então goleiro do Flamengo, de quem engravidou.

Em 2009, Eliza Samudio na delegacia e grávida do ex-goleiro

Marcelo Theobald

De acordo com o Portal Leo Dias, o consulado comprovou a autenticidade do documento, que está em boas condições e foi expedido em 2006. O passaporte traz apenas um registro de entrada em país estrangeiro, feito em 5 de maio do ano seguinte justamente em Portugal. Não há carimbo de saída ou de chegada a outro país — algo que surpreende, já que ela voltou ao Brasil e, segundo sua família, ainda retornou à Europa em 2008 e 2009 para acompanhar partidas de futebol. Na época, Eliza deu entrevistas nas quais disse que viajava ao continente para se encontrar com o jogador português Cristiano Ronaldo.


Procurada pelo EXTRA, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, não quis comentar o caso. No entanto, parentes da modelo afirmaram que ficaram atônitos ao verem imagens do passaporte, já que, até então, tinham a certeza de que todos os documentos dela haviam sido queimados pelos autores do assassinato (policiais se depararam com o que sobrou deles durante buscas ao corpo, que até hoje não foi encontrado).


Uma pessoa que era muito próxima de Eliza disse ao EXTRA ter a convicção de que a modelo estava grávida quando tirou a foto que consta do passaporte — seu único filho, o goleiro Bruno Samudio, nasceu em fevereiro de 2010:


— Eu me lembro dessa foto, Eliza estava bochechuda por causa da gravidez. Para mim, não faz sentido estar num documento de 2007.

‘Prefiro que investiguem de fato’

Em entrevista ao Portal Leo Dias, o homem que encontrou o passaporte contou que levou um susto ao ver o nome de Eliza Samudio no documento. Ele, que pediu anonimato, informou que mora com a mulher e um filho em um apartamento no qual também vive uma outra família, e disse não saber quem o deixou na estante.

— Eu prefiro não falar nada, deixar para as autoridades investigarem para não ser injusto com ninguém. Posso estar falando alguma coisa que pode prejudicar alguém que não tem nada a ver. Prefiro que investiguem de fato como esse passaporte foi parar naquela casa, não posso afirmar nada — argumentou o homem ao ser perguntado sobre o proprietário do imóvel e os outros moradores.


Identificado pelo site apenas como José, ele comentou ainda sobre um eventual uso do passaporte de Eliza por outra pessoa:


— No meu ponto de vista, sabendo que eu não teria coragem de entrar (em um país) com o passaporte de alguém que morreu, acredito que outra pessoa também não, a não ser que esteja envolvida no crime. Não é possível que alguém vá entrar em Portugal com o passaporte de uma pessoa que teve um homicídio tão grande, (conhecido) no Brasil e no mundo.

Disputa judicial motivou assassinato

Eliza Samudio tinha 25 anos quando desapareceu, após se envolver em uma disputa judicial na qual reivindicava de Bruno Souza o reconhecimento da paternidade de seu filho. O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade das acusações e pela exposição de bastidores que envolveram violência, intimidação e abuso de poder.

As investigações apontaram que Eliza foi assassinada em Minas Gerais, em um crime planejado para silenciá-la e impedir o avanço do processo. Depoimentos colhidos ao longo do inquérito indicaram a participação de várias pessoas no sequestro, cárcere privado e homicídio, além de ocultação do cadáver. O caso se tornou um dos mais emblemáticos da crônica policial do país.

Em março de 2013, o Tribunal do Júri de Contagem (MG) condenou Bruno a 22 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Outros envolvidos também foram condenados, com penas que variaram conforme o grau de participação no crime, incluindo a ex-mulher do goleiro e cúmplices apontados como executores e intermediários.

O processo judicial e as condenações consolidaram o entendimento de que a materialidade de um crime pode ser comprovada por um conjunto robusto de provas, reforçando a importância do sistema de Justiça no enfrentamento à impunidade.


Bruno ganhou liberdade condicional em janeiro de 2023. No ano passado, ele defendeu o Independente, de Mato Escuro, no Campeonato de Verão de Futebol do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.