A economista Monica de Bolle endossou a proposta do economista André Lara Resende de reduzir a taxa Selic, hoje em 13,75%, para cerca de 7,5%, e a descreveu como um processo de desindexação da dívida pública brasileira. A manifestação consta de vídeo do Projeto Contraponto compartilhado no Instagram.
“A proposta do André é: vamos desindexar a dívida pública brasileira”, afirmou. Para De Bolle, a lógica é semelhante à do Plano Real no combate à hiperinflação dos anos 1990.
Ela disse que salários e preços foram desindexados na época, mas os ativos financeiros não, e que alguns mecanismos indexados permaneceram no sistema financeiro. Segundo a economista, quando a inflação sobe e a Selic acompanha, a dívida cresce, porque os títulos pós-fixados seguem a taxa básica.
“É o único país no mundo que teve uma hiperinflação que durou vinte e cinco anos”, disse, ao se referir ao Brasil. A proposta, apresentada por Lara Resende em artigo no Substack no fim de setembro, parte dos números da dívida.
A dívida bruta do governo geral está em R$ 10,9 trilhões, ou 82,5% do PIB, segundo os dados usados pelo autor para junho e julho de 2026. O custo médio é de 12,68% ao ano, e a despesa estimada com juros chega a cerca de R$ 1,4 trilhão por ano, equivalente a 10,5% do PIB.
Segundo o Banco Central, a dívida atingiu R$ 11,1 trilhões em setembro. De acordo com a argumentação de Lara Resende, juros menores reduziriam o custo da dívida, aliviariam a preocupação dos investidores com a situação fiscal e poderiam diminuir a saída de capitais, o que levaria a um dólar mais baixo e a menos inflação.
A tese contraria a visão convencional de que uma Selic menor estimula o consumo via crédito e pressiona os preços. De Bolle afirmou que a proposta foi mal compreendida pelo mercado, por outros economistas e pelo público.
Há ressalvas de natureza técnica. Alterar a composição da dívida não elimina o pagamento de juros nem a necessidade de financiamento do governo, e a emissão de títulos prefixados depende das condições de mercado, da confiança dos investidores e das taxas exigidas.
No governo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse no domingo (1º) que a gestão Lula não pretende tabelar ou fixar a Selic e negou que haja reunião marcada entre o presidente e Lara Resende para tratar da proposta.
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