Martha Graeff, ex de Vorcaro, é intimada a depor sobre bens do Master nos EUA

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi incluída em um pedido de intimação apresentado à Justiça dos Estados Unidos para prestar depoimento sob juramento e entregar documentos relacionados ao patrimônio e às operações financeiras do ex-controlador do Banco Master.

A solicitação também abrange negócios envolvendo outras 18 pessoas e empresas. Segundo a coluna C-Level, da Folha de São Paulo, a EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Master, protocolou o pedido no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida.

O depoimento está previsto para 8 de dezembro, em Miami, enquanto o prazo solicitado para a apresentação dos documentos termina em 30 de novembro. A medida busca esclarecer a existência de bens, transferências de recursos e relações comerciais que possam ter ligação com Vorcaro e seu grupo empresarial.

Martha Graeff não é ré no processo e foi convocada na condição de testemunha. A empresária poderá contestar a intimação ou solicitar sua anulação.

Procurada pela reportagem, a defesa de Graeff afirmou que ela ainda não havia recebido a intimação e desconhecia o pedido apresentado à Justiça americana. O advogado Lucio Constantino declarou que sua cliente sempre esteve à disposição das autoridades.

Liquidante quer rastrear patrimônio desde 2018 A solicitação judicial abrange o período de janeiro de 2018 até novembro de 2026 e exige informações sobre bens que Graeff possua, tenha possuído ou tenha participado da aquisição, desde que relacionados a Vorcaro ou aos demais nomes mencionados no procedimento.

Entre os ativos que poderão ser examinados estão imóveis, veículos, obras de arte, joias e relógios. O pedido também alcança bens eventualmente mantidos por intermediários, trusts — estruturas jurídicas utilizadas para administração patrimonial — ou empresas de fachada.

O liquidante solicita contratos de compra e venda, documentos de consignação, apólices de seguro, registros cadastrais e extratos bancários. Também pretende identificar a origem e o destino de pagamentos recebidos pela empresária ou por companhias sob seu controle.

Uma das empresas mencionadas é a Graeff Holdings LLC, constituída na Flórida em 15 de setembro de 2023. Martha aparece como administradora da companhia nos registros estaduais, que não identificam seus sócios.

A legislação local não exige a divulgação dessa informação para todas as empresas de responsabilidade limitada. O pedido inclui ainda esclarecimentos sobre eventuais serviços prestados pela empresária a companhias integrantes do universo empresarial do Banco Master.

A iniciativa está fundamentada na Regra 2004 da legislação falimentar americana, que permite a coleta de depoimentos e documentos de pessoas capazes de fornecer informações relevantes sobre o patrimônio de um devedor. O mesmo instrumento já foi utilizado no processo para solicitar informações a instituições financeiras, entre elas Bradesco e Itaú, e a empresas que mantiveram negócios com Vorcaro e seus sócios.

Além do ex-banqueiro, a relação de pessoas e companhias citadas inclui Antonio Carlos Freixo Júnior, apontado como delator nas investigações brasileiras, os ex-dirigentes e sócios Maurício Quadrado e Luiz Antonio Bull e a Titan Capital Holding, empresa vinculada a Vorcaro no exterior.

Cobertura de US$ 43,9 milhões aparece no endereço da intimação Outro elemento do procedimento é o endereço utilizado para encaminhar a intimação: uma cobertura localizada em um condomínio de luxo em Surfside, ao norte de Miami Beach.

De acordo com registros do condado de Miami-Dade, o imóvel foi adquirido por US$ 43,9 milhões e pertence formalmente à G5C Capital Corporation, companhia constituída em Ontário, no Canadá, um dia antes da aquisição. Os documentos públicos não identificam os proprietários da empresa canadense.

Também não apresentam elementos que estabeleçam ligação entre a G5C, Daniel Vorcaro ou o Banco Master. A presença do endereço no procedimento judicial, portanto, não comprova que Graeff seja proprietária do imóvel ou que a cobertura tenha sido adquirida com recursos do banco.

Mensagens revelaram discussão sobre transferência de bens O interesse do liquidante em obter documentos patrimoniais ocorre após a divulgação de conversas entre Vorcaro e Graeff que abordavam a possibilidade de transferir bens para o nome da empresária.

Na ocasião, o ex-banqueiro sugeriu à então companheira que determinados ativos fossem registrados em seu nome, enquanto negociava a aquisição de outra residência de alto padrão em Miami. As conversas também mencionavam a possibilidade de constituir um trust em nome de Graeff, mecanismo utilizado para organizar a titularidade e a administração de patrimônios.

Meses antes dessas negociações, Vorcaro havia concluído a compra de uma residência na Sabal Palm Road por mais de US$ 85 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 490 milhões na cotação da época. A divulgação das mensagens provocou manifestações públicas da empresária, que rejeitou qualquer participação em irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Em abril, Graeff afirmou ter sido “arrastada para um lamaçal” após a exposição de sua relação com o ex-banqueiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, disse que estava sendo alvo de ataques e contestou informações sobre um suposto crescimento de seu patrimônio.

“O meu patrimônio é idêntico ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco.

Isso tudo é mentira”, declarou. Na ocasião, a empresária também afirmou que não era investigada nem acusada no caso.

Processo nos EUA também envolve jato de cerca de US$ 42 milhões A tentativa de obter documentos de Graeff integra uma frente mais ampla de recuperação e identificação de ativos do Banco Master no exterior.

O procedimento estadunidense foi iniciado após a liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro de 2025. Posteriormente, o liquidante recebeu autorização judicial para investigar a existência de bens vinculados ao banco nos Estados Unidos.

Uma das disputas envolve aproximadamente US$ 42 milhões provenientes da venda de um jato executivo Gulfstream G700, identificado pelo prefixo PS-MGG. Segundo a EFB, a aeronave teria sido adquirida com recursos do Banco Master.

O liquidante tenta impedir que os valores obtidos com sua comercialização sejam liberados enquanto a origem dos recursos é examinada. O prefixo do avião corresponde às iniciais de Martha Gonçalves Graeff, nome completo da empresária.

Essa coincidência, isoladamente, não demonstra que ela seja proprietária da aeronave ou responsável por sua aquisição. O rastreamento de ativos no exterior busca identificar patrimônio que eventualmente possa ser utilizado no processo de liquidação da instituição financeira.

A defesa de Daniel Vorcaro também foi procurada, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem.

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