‘Momento Diet Coke’ da cerveja: compre AB Inbev, diz a Barron’s

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Fonte da notícia: Brazil Journal Brazil Journal

O consumo de álcool no mundo tem caído ano a ano. Nos EUA, por exemplo, as famílias estão gastando só 0,8% de seu orçamento com bebidas alcoólicas – o menor patamar dos últimos 40 anos.  Para completar, medicamentos como o Ozempic e Monjauro têm reduzido ainda mais o apetite dos consumidores por álcool – turbinando a queda de volume das principais fabricantes de bebidas. Apesar de tudo isso, a Barron’s acredita que é hora de comprar a ação da Anheuser-Busch Inbev, a dona da Ambev no Brasil e a líder global do setor com marcas como Stella, Budweiser e Corona.

O coração da tese? O crescimento das cervejas sem álcool, que ainda respondem por uma fatia pequena do mercado (cerca de 2% do todo), mas que devem ganhar cada vez mais relevância nos próximos anos. Parte do otimismo da revista – uma das mais respeitadas do mercado financeiro americano – tem a ver com as novas tecnologias que a AB InBev desenvolveu e que tem permitido fabricar cervejas sem álcool com um gosto quase igual ao das cervejas tradicionais. “Pense nisso como o ‘momento Diet Coke’ da cerveja: finalmente, os cervejeiros descobriram a fórmula que faz as cervejas sem álcool terem um sabor quase tão bom quanto o das versões tradicionais fermentadas,” escreveu a revista depois de visitar as fábricas da AB InBev na Bélgica. “Um dos equipamentos mais recentes por aqui é uma máquina de desalcoolização, uma grande estrutura formada por tubos metálicos que aquece a cerveja em um ambiente de vácuo para evaporar o álcool sem perder a combinação característica de dulçor e amargor que dá à cerveja lager seu sabor agradável.” A revista lembra que no passado a AB InBev fabricava suas cervejas sem álcool reduzindo o tempo de fermentação, para que menos álcool fosse gerado – o que era como “servir carne mal passada, sem nenhum tempero.” Para o CEO da AB InBev, o brasileiro Michel Doukeris, isso explica o crescimento abaixo do esperado dessas cervejas na última década. Em 2015, a AB InBev disse que queria que suas cervejas sem álcool respondessem por 20% das vendas em uma década (ou seja, em 2025). No ano passado, elas chegaram a apenas 6% do total. “A primeira coisa que tínhamos que fazer era tornar as cervejas sem álcool ótimas, e acho que chegamos lá… Beber uma cerveja sem álcool já não é mais um sacrifício,” o vp de pesquisa e desenvolvimento da companhia, David De Schutter, disse à Barron’s. Agora que acertou a fórmula, a AB InBev quer acelerar as vendas – e está apostando em diferentes produtos para isso. Recentemente, ela lançou no Brasil uma cerveja dark lager, com 0% de álcool, que contém 10 gramas de proteína por latinha – numa forma de tentar capturar o consumidor que frequenta academia e precisa consumir proteínas para ganhar músculos.  Outra aposta recente foi uma versão da Michelob Ultra com eletrólitos, buscando capturar o segmento dos atletas que precisam consumir minerais antes ou depois de atividades físicas. A AB InBev não é a única fabricante de bebidas apostas nas cervejas sem álcool, e a Heineken e a Carlsberg também tem investido pesado nesse segmento – com a Heineken colhendo bons resultados há anos com sua Heineken 0%.  Para a Barron’s, no entanto, os sinais iniciais sugerem que a AB InBev é a que está melhor posicionada para liderar esse mercado. Um analista da Evercore ISI corrobora essa visão, dizendo à revista que espera que o mercado de cervejas sem álcool cresça 25% ao ano na América do Norte pelo resto da década – e que acha que a AB InBev e a Athletic Brewing (uma fabricante especializada em cervejas sem álcool) serão “os vencedores de longo prazo.”  “A AB InBev está numa boa posição na medida em que espera que sua receita das bebidas sem álcool cresça numa velocidade duas vezes maior que a de seus rivais. Isso pode ser um impulsionador extra para a ação, que continua barata apesar do rali de 30% do último ano,” disse o analista.  A ação da AB InBev negocia hoje a 16 vezes seu lucro esperado para o ano que vem, um desconto de seis pontos em relação a sua média histórica. A companhia disse no mês passado que espera que o lucro antes de impostos cresça de 5% a 9% ao ano no médio prazo.  Olhando o múltiplo, concorrentes estão mais baratos. A Heineken, por exemplo, negocia a 13x o lucro estimado para o ano que vem, “mas eles enfrentam uma perspectiva bem mais difícil,” diz a revista. “A Heineken Zero foi uma das primeiras cervejas sem álcool a se tornar mainstream e continua como um líder global, mas o crescimento das vendas vem desacelerando por conta da competição mais dura,” diz a revista, lembrando que o CEO da Heineken deixou o cargo em maio e que o vácuo de liderança também pesou na ação.  A AB InBev vale cerca de € 131 bilhões na Bolsa de Bruxelas, com a ação subindo 34% nos últimos 12 meses.

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