Moeda rara encontrada na Inglaterra levanta dúvida: vikings já seguiam ensinamentos cristãos antes do previsto?

 

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Seria possível que os vikings tivessem tido contato com o cristianismo muito antes do que se imaginava? Uma descoberta no mês de abril no Reino Unido reacende essa discussão e coloca em xeque parte do que historiadores acreditavam sobre o período.

Uma pequena moeda de ouro, incompleta e transformada em pingente, foi encontrada por um amador com detector de metais no condado de Norfolk. A peça, datada entre as décadas de 860 e 870 d.C., coincide com o momento em que os vikings consolidavam domínio sobre a Ânglia Oriental.

A análise revelou um detalhe incomum: de um lado, a imagem de um homem barbudo acompanhada da inscrição “IOAN”, abreviação de João; do outro, uma frase parcial em latim que remete a “Batista e Evangelista”. A representação de João Batista, uam das figuras centrais do cristianismo, surpreende especialistas, sobretudo por se tratar de um período em que moedas europeias costumavam retratar reis ou imperadores, não figuras religiosas.

Uma peça fora do padrão

O achado é considerado inédito na Europa Ocidental desse período. Embora João Batista já fosse amplamente reconhecido como santo no século IX, sua imagem era mais comum em regiões sob influência do Império Bizantino, e não em territórios associados aos vikings.

Para o historiador numismático Simon Coupland, a peça levanta uma hipótese intrigante: o pingente pode ter sido produzido por escandinavos. “Essas imitações de ouro sólido tendem a ser feitas por escandinavos”, afirmou à BBC, destacando o caráter incomum da representação.

Até então, o consenso histórico indicava que os vikings chegaram ao território britânico como pagãos entre os séculos VIII e IX, passando a se converter ao cristianismo apenas a partir do século X, após maior integração com populações locais.

A moeda, no entanto, sugere que o contato entre as duas tradições pode ter ocorrido antes — ainda que não comprove uma conversão ampla. Especialistas ponderam que o objeto também pode refletir trocas culturais, comércio ou até pilhagem, práticas comuns entre os vikings.

Indícios que reescrevem a história

O achado se soma a outras descobertas recentes que vêm ampliando o entendimento sobre a disseminação do cristianismo na Europa. Em 2024, pesquisadores anunciaram a identificação de um amuleto de prata de cerca de 1.800 anos na Alemanha, considerado o artefato cristão mais antigo ao norte dos Alpes.

Assim como esse objeto, a moeda encontrada em Norfolk não oferece respostas definitivas, mas amplia o campo de investigação. Mais do que confirmar uma conversão precoce, ela indica que os mundos viking e cristão podem ter se cruzado de maneiras mais complexas — e mais cedo — do que os registros históricos tradicionais sugerem.