O desenvolvimento de uma nova geração de inteligência artificial envolve o trabalho de pesquisadores e engenheiros para escrever códigos, realizar testes, identificar falhas e ajustar o funcionamento dos modelos. Agora, parte dessas tarefas começa a ser executada pelas próprias ferramentas que estão sendo aperfeiçoadas. A IA ainda não consegue criar uma versão mais avançada de si mesma de forma autônoma. Os principais laboratórios do setor, no entanto, afirmam que seus modelos já participam de uma parcela crescente do trabalho necessário para desenvolver seus sucessores, aproximando a tecnologia do chamado autoaperfeiçoamento recursivo. Nesse processo, um sistema de IA ajuda a aprimorar ou construir um novo modelo, mais eficiente e poderoso. Essa versão aperfeiçoada pode participar do desenvolvimento da geração seguinte, dando origem a um ciclo contínuo de evolução tecnológica. A possibilidade desperta expectativas de avanços mais rápidos em áreas como ciência e medicina. Ao mesmo tempo, preocupa pesquisadores porque poderia acelerar o desenvolvimento da IA além da capacidade humana de acompanhar, avaliar e controlar seu comportamento.
Autoaperfeiçoamento recursivo da IA Também conhecido pela sigla RSI, do inglês recursive self-improvement, autoaperfeiçoamento recursivo ocorre quando um sistema de inteligência artificial participa do aprimoramento de suas próprias capacidades ou da criação de seu sucessor. Ainda não existe consenso sobre quando esse estágio será efetivamente alcançado. Algumas empresas empregam o termo sempre que um modelo auxilia no desenvolvimento de outro. Uma definição mais rigorosa exige que a IA conduza esse processo de maneira autônoma, com pouca ou nenhuma intervenção humana. A principal diferença está no grau de independência. Atualmente, modelos podem escrever códigos, analisar resultados de testes, identificar falhas e sugerir alterações. As decisões mais importantes, no entanto, ocorrem quando um sistema de inteligência artificial participa do aprimoramento de suas próprias capacidades ou da criação de seu sucessor. A Anthropic desenvolve a ferramenta de IA Claude, que é usada como chatbot e como ferramenta para auxiliar na programação Getty Images via BBC Quanto do trabalho a IA já consegue realizar? A Anthropic informou que seu modelo Claude já lidera cerca de 26% das tarefas de pesquisa e desenvolvimento relacionadas aos novos modelos da empresa, segundo reportagem da AP. Isso significa que o sistema consegue receber uma orientação geral e executar grande parte de determinadas atividades até o final, mas ainda com acompanhamento humano. A OpenAI também anunciou a criação de um “estagiário de pesquisa” automatizado, capaz de executar, sob orientação, tarefas bem definidas que poderiam consumir alguns dias de trabalho de um pesquisador especializado. A empresa pretende desenvolver um pesquisador de IA mais autônomo até março de 2028. A principal diferença está no grau de independência. Atualmente, modelos podem escrever códigos, analisar resultados de testes, identificar falhas e sugerir alterações. As decisões mais importantes, no entanto, ocorremquando um sistema de inteligência artificial participa do aprimoramento de suas próprias capacidades ou da criação de seu sucessor. Preocupação do mercado O receio é que o processo produza um ciclo acelerado: uma IA desenvolve um sistema melhor, que passa a criar outro ainda mais avançado em menos tempo. Como as máquinas podem executar determinadas tarefas com maior velocidade do que os seres humanos, cada nova geração poderia reduzir o intervalo necessário para o próximo salto tecnológico. Esse cenário costuma ser associado ao surgimento de uma superinteligência, sistema hipotético que superaria a capacidade humana em diferentes áreas. A preocupação é que os mecanismos de segurança e supervisão não evoluam no mesmo ritmo das capacidades dos modelos. Para John Thickstun, professor de ciência da computação da Universidade Cornell ouvido pela AP, uma forma limitada desse processo já ocorre há anos. Desenvolvedores utilizam modelos anteriores para escrever códigos e executar tarefas empregadas na criação de novas versões. Até agora, porém, essas ferramentas produziram melhorias graduais, e não saltos completamente autônomos. A própria OpenAI reconhece que ainda não sabe como alcançar um sistema plenamente autônomo e, ao mesmo tempo, alinhado aos valores e às intenções humanas. A empresa ressalta que o avanço dos mecanismos de segurança pode não acompanhar o crescimento das capacidades tecnológicas. Microsoft Copilot Anadolu/Getty Images Empresas divergem sobre o avanço da IA Os principais laboratórios também apresentam estratégias diferentes. A Anthropic defende uma possível desaceleração coordenada e verificável do desenvolvimento dos modelos mais avançados. A OpenAI afirma que qualquer decisão deverá preservar o controle humano e considerar os benefícios e riscos para a sociedade. A Microsoft adota um discurso mais cauteloso. A empresa afirma trabalhar em uma “superinteligência humanista”, concebida para permanecer dentro de limites definidos e servir às necessidades humanas, em vez de operar com autonomia irrestrita. Já a xAI, de Elon Musk, sinaliza uma busca mais rápida pela automação. Mais Lidas
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