Ministro do Interior descarta possibilidade de 'sabotagem' em colisão de trens que matou ao menos 41 na Espanha

 

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O ministro do Interior da Espanha descartou nesta terça-feira a hipótese de sabotagem na colisão entre dois trens que deixou ao menos 41 mortos no domingo à noite, no sul do país. Segundo ele, as apurações conduzidas até o momento indicam problemas de natureza técnica e operacional.

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“Nunca se considerou a possibilidade de sabotagem; em todos os momentos e em todas as circunstâncias, trataram-se de questões técnicas e relacionadas ao transporte ferroviário”, afirmou Fernando Grande-Marlaska em entrevista coletiva após a reunião do Conselho de Ministros.

Em novo balanço divulgado nas primeiras horas da manhã, o governo regional andaluz informou que mais um corpo foi encontrado entre os destroços de uma das composições, elevando o total de vítimas fatais.

“O número de mortos subiu para 41, após a recuperação, na noite passada, do corpo sem vida de uma pessoa em um dos vagões” do trem da companhia Iryo, informou o governo andaluz sobre o acidente ocorrido em Adamuz, na província de Córdoba. As autoridades ressaltaram que o número ainda pode aumentar, já que as buscas continuam.

Além disso, “nos diferentes hospitais andaluzes continuam internadas 39 pessoas, sendo 35 adultos e quatro crianças. Na UTI permanecem 13 pacientes, todos adultos”, acrescentaram.

Reis vão ao local

Coincidindo com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo governo espanhol, o rei Felipe VI e a rainha Letizia visitam o local do incidente nesta terça-feira.

Felipe VI e a rainha Letizia vão o local do acidente acompanhados pela Primeira Vice-Presidente do Governo, María Jesús Montero, e pelo Presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno. Eles também devem visitar os feridos em um hospital em Córdoba e se encontrarão com familiares das vítimas, segundo o jornal El Mundo.

O acidente ocorreu próximo ao povoado de Adamuz, cujos moradores se mobilizaram nos primeiros momentos para ajudar os sobreviventes, oferecendo abrigo, comida e água.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou nesta terça-feira que o total definitivo de mortos pode se aproximar do número de desaparecidos registrados, atualmente 43.

“O que é preciso fazer é cruzar os desaparecidos ou as denúncias por desaparecimento com os mortos e ontem, pelo menos no fim do dia, o número era mais ou menos coincidente”, explicou em entrevista à rádio Onda Cero.

Maquinário pesado no resgate

As equipes de resgate concentram esforços na retirada dos vagões de um dos trens que despencaram em um barranco de cerca de quatro metros de altura. Para isso, gruas de grande porte foram levadas ao local.

Em comunicado, o governo andaluz informou que foram “realizados trabalhos de compactação do terreno” para garantir a estabilidade do maquinário. Na noite de segunda-feira, o presidente da Junta da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, estimou que seriam necessárias “24 a 48 horas” para determinar, “com certeza científica”, o número de vítimas.

O acidente ocorreu às 19h45 de domingo (18h45 GMT), quando dois trens de alta velocidade que circulavam por vias paralelas colidiram, transportando cerca de 500 passageiros no total.

Os últimos carros de um trem da operadora privada Iryo, que fazia o trajeto de Málaga a Madri, descarrilaram e caíram sobre a via ao lado, justamente no momento em que passava uma composição da estatal Renfe, que seguia no sentido contrário, da capital espanhola para Huelva.

Os quatro vagões do trem da Renfe saíram completamente dos trilhos e capotaram. Dois deles aparentam ter sido esmagados pelo impacto, segundo imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil. Mais adiante, era possível ver o trem da Iryo com a maioria dos carros ainda sobre os trilhos e os dois últimos tombados de lado.

Trilho danificado no foco da investigação

Descartadas inicialmente hipóteses como excesso de velocidade — o trecho é reto — ou erro humano, as investigações agora se concentram nas condições da via e do material ferroviário.

“A falha humana está praticamente descartada”, afirmou na segunda-feira o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, à rádio pública RNE.

Uma imagem divulgada pela Guarda Civil, mostrando agentes inspecionando um trilho com um trecho faltante, alimentou especulações. Puente afirmou que ainda é cedo para determinar se a ausência desse pedaço foi “causa ou consequência” do acidente.

“Há muitas rupturas de trilho quando o trem descarrila (...) e existe uma ruptura inicial”, disse o ministro à Onda Cero.

“A questão é determinar — e neste momento nenhum técnico é capaz de assegurar ou sequer afirmar — se essa ruptura é causa ou consequência, e isso não é um detalhe menor”, concluiu.

Puente classificou o acidente como “estranho”, ocorrido em um trecho de via recentemente renovado.

Os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia permanecem interrompidos e não devem ser totalmente restabelecidos antes de 2 de fevereiro.

Em julho de 2013, a Espanha já havia registrado uma grave tragédia ferroviária com o descarrilamento de um trem em Santiago de Compostela, na Galícia, que deixou 80 mortos.